Jornalista da AFP que entrou em shopping de Nairóbi relata momentos de horror

No último sábado (21/9), um ataque armado a um shopping de Nairóbi, capital do Quênia, transformou o local conhecido por suas lojas de grifee restaurantes em um cenário de terror.

Atualizado em 23/09/2013 às 16:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Ao menos 69 pessoas foram mortas. Uma jornalista da agência AFP, que entrou no lugar durante as ações de resgate, diz que “a sensação de perigo estava por toda parte”.
Crédito:Reprodução/ Twitter Jornalista relatou terror em massacre no shopping de Nairóbi, no Quênia
De acordo com a Fox News, Nichole Sobecki foi a única repórter de TV a ter acesso ao shopping logo após o massacre. “Eu estava editando em casa quando um vizinho me contou sobre o ataque”, diz a profissional. “Liguei para a AFP e, então, para meu marido, Tyler Hicks, um fotojornalista do The New York Times .”
“Já cobri muitos conflitos antes, incluindo Somália, Líbia e Afeganistão, estou acostumada a ver cenas de violência. Mas encontrá-las em um shopping que eu conheço, a poucos minutos da minha casa, foi completamente surreal”, desabafou Nichole.
Segundo ela, chegando ao complexo, pessoas fugiam de mãos dadas, muitas em lágrimas. Aqueles que tinham sido baleados estavam sendo ajudados por outros civis e os carros estavam fazendo o papel de ambulâncias, transportando os feridos para hospitais próximos.
“Eu fui para perto da entrada principal, onde um grupo de jornalistas e equipes médicas se reuniram”, explica. “Mas do lado de fora, eu não podia ter uma ideia clara do que estava acontecendo dentro do local, onde as forças de segurança estavam lutando contra os agressores.”
“Tentei avaliar a situação, questionando colegas e membros das equipes de resgate. Então eu decidi entrar”, lembra. “Os sons habituais de conversa e comércio foram substituídos por um silêncio misterioso [lá dentro].”
“Ficamos cerca de três horas no shopping. Eu não cheguei a ver os atiradores. As únicas armas que vi eram as usadas pelas forças de segurança. Mas a sensação de perigo estava por toda parte. Uma situação muito estressante. Tentei manter a calma e ser racional, para tomar decisões claras.”
“Em meio a estas cenas de horror, também fui testemunha de momentos de comunhão”, acrescenta a jornalista. “Estranhos ajudando uns aos outros. A bravura de membros das forças de segurança e civis. Multidões fazendo fila para doar sangue. Em um país muitas vezes caracterizado por suas divisões, esse é o pequeno vislumbre que espero tirar de um dos dias mais escuros do Quênia.”