Jornalista critica posição de Israel em conflito e sofre ameaças no Facebook

Após criticar a posição de Israel no Oriente Médio pelo Facebook, a jornalista Deborah Cattani recebeu diversas ameaças na rede social.

Atualizado em 18/07/2014 às 17:07, por Redação Portal IMPRENSA.

A repercussão de um comentário sobre o conflito no Oriente Médio fez com que a jornalista Deborah Cattani sofresse uma onda de ameaças nas redes sociais. De origem judia, ela fez duras críticas ao posicionamento de Israel no confronto com grupos palestinos na Faixa de Gaza. “Mais desumano que o holocausto, mais duradouro que o holocausto, mais pertinente que o holocausto, pois hoje em dia todo o mundo pode ver com os próprios olhos e mesmo assim, poucos reagem”, .

Segundo o Jornal Já, usuários e páginas de entidades fizeram diversas ameaças à jornalista, que denunciou os casos para o Facebook, Twitter e Instagram. Tudo começou quando ela teceu comentários sobre a situação na Faixa de Gaza, local em que israelitas e palestinos se enfrentam. Com uma posição que difere de seus colegas, a jornalista afirma que tem perdido amigos judeus pouco a pouco por conta da defesa de alguns ao confronto.
“Cada vez que um deles posta um heil Israel no Facebook ou qualquer coisa dizendo ‘matem os árabes’, eu tenho um amigo a menos. Se vocês já assistiram ao filme ‘A Onda’, é exatamente isso que o governo israelense faz com seus jovens. Já tive treinamento militar israelense, sei como funciona toda a lavagem cerebral e até entendo porque funciona, afinal, somos pobres vítimas”, diz.
A publicação da postagem acima na última sexta-feira (11/7) provocou uma série de respostas entre prós e contra o conflito, com conteúdos que variam entre manifestações de carinho, agressivas, com ódio, ou pedindo paz. No entanto, Deborah conta que o debate sobre sua opinião tem lhe afetado, pois a discussão passou a nível.
“Eu estou recebendo ameaças de toda a comunidade judaica de Porto Alegre, São Paulo e até, pasmem, Buenos Aires. Já estou na lista negra”, ela. “Estou assustada, sim. Não nego”. Os xingamentos e acusações contra ela ganharam proporção nas redes sociais, e fez até usuários organizarem um espaço para reunir críticas ao posicionamento da jornalista.
“A página que vinha me perseguindo foi excluída do Facebook! Pra vocês verem como pessoas infundadas não conseguem levar o debate adiante e, além de baixarem o nível, não aguentam as consequências de seus atos”, conta. Ao comentar a situação, Deborah revela que a maior ameaça que foi feita pela Juventude Judaica Organizada de São Paulo. “Só que eles tiraram do ar todos os comentários, mas tenho as cópias”, diz ela.

Para o rabino da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra/RS), o professor Guershon Kwasniewski, as citadas ameaças que teriam sido feitas pela comunidade judaica não existem. “Deborah está aproveitando a repercussão para se promover. As ameaças não estão publicadas em seu Facebook e podem ter ocorrido ‘in box’. Ela deveria publicar e denunciar à polícia”, diz ele, que avalia que a postagem teve repercussão por trazer a visão dos fatos de uma judia: “Ela demonstra um ressentimento por algum problema que desconhecemos”.
Mesmo discordando do posicionamento da jornalista, Kwasniewski afirma entender que todo o conflito é deplorável. “Lamentamos a violência, mas entendemos que é um direito de Israel defender sua população civil. É preciso lembrar os fatos iniciais deste conflito.
O comentário foi rebatido pela jornalista . “Quando uma pessoa que te viu crescer, conhece a tua história e a tua família, fala uma bobagem dessas num veículo de mídia sobre você, não resta mais esperança. E daí se eu sofri traumas no passado? Todo mundo sofre traumas. Saudáveis e espertos são aqueles que conseguem articular isso e falar e por pra fora”.
'Isso não é novidade e está no meu blog há tempos pra quem quiser ler. Se eu estivesse querendo me promover, não estaria incomodada e irritada com toda essa repercussão. Grata, bayjos', conclui.