Jornalista colombiano ameaçado é assassinado após perder escolta policial

Miguel de Cervantes contava com escolta desde 2010. Após retirarem sua proteção em julho, ele denunciou novas ameaças, mas não foi ouvido.

Atualizado em 13/08/2014 às 18:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Na última terça-feira (12/8), o jornalista Luis Cervantes foi assassinado no caminha da escola de seu filho. No entanto, dias antes ele alertou as autoridades colombianas que tinha recebido novas ameaças. O profissional era um dos mais perseguidos no país e contava com escolta do governo local desde o início de 2010.
Crédito:Reprodução Jornalista tinha recebido novas ameaças antes de ser assassinado
Segundo o portal Semana, a Unidade de Proteção Nacional colombiana retirou a escolta do jornalista em julho. Assim que foi notificado, ele entrou em contato com o órgão para alertar que recebeu novas ameaças em mensagens de texto. O esquema de segurança incluía dois guardas e um veículo.

Em estudo, a entidade avaliou que “não havia nexo casual" entre as ameaças recebidas por Cervantes e seu trabalho como jornalista, por isso retirou a guarda. Entretanto, colegas do jornalista apresentaram uma versão diferente. A presidente da Federação Colombiana de Jornalistas, Adriana Hurtado, ressalta que o esquema de segurança não foi retirado de maneira gradual, como obriga a lei, mas de uma vez.
"Eu tenho que ir de ônibus até Tarazá e eu não posso voltar até lá, porque senão me matam", disse o jornalista aos membros da Associação de Jornalistas de Antioquia. Além disso, Cervantes afirmou que a Unidade de Proteção Nacional não informou as razões que motivaram a retirada da escolta. Por outro lado, a Federação Colombiana de Jornalistas o chamou para fazer um novo estudo de risco. Enquanto este era elaborado, Cervantes buscava apoio das autoridades locais.
Apesar do apelo de Cervantes, seu pedido não foi atendido. Ameaçado mais de 23 vezes no passado e sem uma estadia segura, ele ficou hospedado alguns dias na casa do amigo e jornalista Oscar Morales.

Com o relatório pronto, Cervantes se reuniu com a Unidade de Proteção Nacional e o órgão colombiano pediu 20 dias para analisar o caso. "Irmão, eu vou para casa de algum familiar para ver o que acontece, qualquer coisa eu te aviso", disse ele por telefone a um corresponde do portal Semana no dia 6 de agosto. O jornalista foi assassinado na tarde da última terça (12/8) quando estava ia buscar seu filho na escola.