Jornalista afirma que conflito social norte-americano não se restringe a crimes policiais

Jornalista narrou uma série de fatos sobre a crise desencadeada entre brancos e negros nos EUA em debate sobre o tema no canal liberal NBC.

Atualizado em 19/08/2014 às 16:08, por Redação Portal IMPRENSA.

O jornalista e membro do conselho editorial do Wall Street Journal , Jason Riley, foi o convidado do programa “Meet the Prees”, (“Encontro com a imprensa”, em tradução livre), para discutir a questão racial nos Estados Unidos, após um jovem ser morto pela polícia da cidade de Ferguson sob a alegação de ter agredido e posteriormente tentado roubar a arma de um oficial. Porém, uma testemunha contestou as informações e gerou uma crise na região, de maioria negra. Sobre o tema, Riley afirma que não devemos fingir que a situação é o problema e alerta para a criminalidade.
Crédito:Reprodução Jornalista foi criticado por não vitimizar negros nos EUA
Segundo o portal BizPac Review, o jornalista não tratou a questão sob a ótica generalista, que considera apenas a narrativa de que policiais brancos cometem crimes contra negros inocentes. "Não vamos fingir que nossos necrotérios e cemitérios estão cheios de jovens negros, porque os policiais estão atirando neles. A realidade é essa porque outros negros estão atirando neles, e nós precisamos falar sobre a criminalidade negra", disse em entrevista ao canal norte-americano NBV
Embora peça que o debate seja mais amplo, Riley disse que o oficial que matou o jovem em Ferguson usou força excessiva e deve ser processado. Para justificar seu posicionamento sobre a questão, o autor de “Please Stop Helping Us: How Liberals Make It Harder for Blacks to Succeed”, (“Por favor, parem de nos ajudar: como os liberais tornam as coisas mais difíceis para os negros terem sucesso”, em tradução livre), ressalta os dados de criminalidade registrados usados na região.
"Os negros são apenas 13% da população, mas são 50% das vítimas de homicídio no país, e 90% dessas vítimas são mortas por outras pessoas negras", salientou.

Junto com o jornalista, estavam presentes no debate a âncora Andrea Mitchell e a parlamentar Jane Harman. Após ouvir Riley, a apresentadora rebateu ao dizer que negros também eram vítimas de saques em Missouri.
"Ao mesmo tempo, no mesmo fim de semana que isso aconteceu em Ferguson tivemos 26 tiroteios em Chicago, mas Al Sharpton não foi até Chicago. Ele foi até St. Louis por que ele tem interesses totalmente diferentes, que é o de continuar culpando os brancos", confronta Riley. Al Sharpton, citado pelo jornalista, é um dos líderes da comunidade afro-americana e comanda protestos no país.
Após a opinião de Riley, os outros participantes do programa começaram a interrompê-lo a cada tentativa de nova frase sobre o assunto até que o tema foi mudado. O assunto causa comoção no país, já que coloca em debate a questão racial, enraizada na região.

Nesta terça-feira (19/8), o presidente norte-americano, Barack Obama, se pronunciou sobre o conflito em Ferguson, "Não há desculpas para o uso excessivo da força pela polícia (...) Os protestos são na maioria pacíficos, mas alguns não são", disse.

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