Jornalista Adauto Novaes lança o livro "Anos 70: Ainda Sob a Tempestade"
Jornalista Adauto Novaes lança o livro "Anos 70: Ainda Sob a Tempestade"
Jornalista Adauto Novaes lança o livro "Anos 70: Ainda Sob a Tempestade"
Um retorno à crítica de uma das décadas de maior efervescência cultural no país, sob o olhar de grandes intelectuais e artistas brasileiros. Organizado pelo escritor e jornalista Adauto Novaes, Anos 70: ainda sob a tempestade reúne artigos sobre cinema, literatura, música, teatro e televisão no País no período da censura e governo militar. Referência teórica obrigatória sobre o período, a obra é uma co-edição da Editora Senac Rio e Aeroplano Editora.
Anos 70: ainda sob a tempestade foi publicado originalmente em cinco pequenos volumes, publicados pela Fundação Nacional de Arte, como resultado de uma pesquisa coordenada pelo autor, divulgada em 1979. Ao todo são 25 ensaios, marcados pelos impasses da atmosfera político-social da época.
"Para esta nova edição, convidamos os autores ao comentário conceitual - e às vezes pessoal - de seus textos, confrontando o tempo do pensamento original e o tempo da história cultural contemporânea. (...) Mais do que rememorar histórias, esta nova edição do Anos 70 apresenta-se, pois, como um conjunto de estudos que nos levam a compreender esta passagem de uma época a outra", explica Adauto Novaes na introdução do livro.
O segmento Música Popular é composto por ensaios de José Miguel Wisnik, Ana Maria Bahiana e Margarida Autran. Alguns aspectos vigentes na década de 70 sobressaem-se nos artigos, como: predominância da música popular brasileira no mercado de discos; permanência até os dias de hoje de uma intensa e polimorfa criatividade musical; tempo de cristalização, eclosão e disseminação do que viria a se chamar de brega; repercussão internacional da música instrumental brasileira; período em que a classe média foi apresentada ao samba e choro.
Heloisa Buarque de Hollanda, Marcos Augusto Gonçalves e Armando Freitas Filho são autores do segmento Literatura. Os intelectuais refletem pontos como o papel da repressão política e da censura sobre a produção de cultura; o advento de uma nova produção literária, notadamente poética e também ficcional; destaque para o desenvolvimento do conto no período e enorme quantidade de concursos literários, revistas e publicações; projeção de dois grandes escritores, Antonio Callado e Erico Veríssimo; surgimento de bons críticos literários, além de mostrar um apanhado da poesia dos anos 70.
José Arrabal, Mariângela Alves de Lima e Tania Pacheco são os autores de Teatro. O pensamento crítico da história do teatro no Brasil - passando por diretores e dramaturgos como Oduvaldo Vianna Filho, Augusto Boal, José Celso Martinez Correa -, estratégias de agrupamento concebidas pelos artistas de teatro durante a ditadura militar e as lutas dos atores na construção de identidades partidárias, nas lutas sindicais e sociais são abordados neste segmento.
Jean-Claude Bernadet, José Carlos Avellar e Ronald F. Monteiro dissertam sobre a produção documentária brasileira, a perspectiva popular do cinema e aspectos ligados à pornochanchada no segmento Cinema.
O leitor poderá entender ainda, em Anos 70: ainda sob a tempestade, como a história da Rede Globo pôde servir como "aparelho ideológico" de forma a se tornar parte integrante da sociedade brasileira e a maneira em que política cultural da ditadura viabilizou a modernização tecnológica, que permitiu a construção das redes nacionais de televisão, no segmento Televisão, escrito por Maria Rita Kehl, Elizabeth Carvalho, Santuza Naves Ribeiro, Isaura Botelho.
SOBRE ADAUTO NOVAES:
Adauto Novaes é jornalista e professor. Estudou filosofia no Colégio de Altos Estudos e jornalismo no Instituto Francês de Imprensa (Sorbonne), ambos em Paris. Foi diretor, por 20 anos, do Centro de Estudos e Pesquisas da Fundação Nacional de Arte/Ministério da Cultura. Nele, organizou dois grupos de estudos, que depois viraram livros, nos quais publicou ensaios: Anos 70 (lançado pela Editora Europa em 1980) e O nacional e o popular na cultura brasileira (Brasiliense). Realizou mais de 1.600 conferências pelo país, com mais de 160.000 livros vendidos. Foi indicado duas vezes para o Prêmio Estadão de Cultura e nomeado Chevalier des Arts et Lettres pelo Ministério da Cultura da França (2004).






