"Jornalismo & Mídias Sociais" é tema de debate na UPM
Aconteceu, na noite da última segunda-feira (16), em São Paulo, na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), o debate em que se apresentouo relatório final da pesquisa sobre o uso de redes e de mídias sociais por profissionais ligados ao jornalismo no Brasil.
Atualizado em 19/05/2011 às 16:05, por
Klaus Junginger.
Resultado da parceria entre a ONG Artigo 19 e a IMPRENSA Editorial - responsável pela edição da Revista e do Portal IMPRENSA -, o estudo "Jornalismo & Mídias Sociais" recebeu respostas de 150 jornalistas que ajudaram na amostragem do comportamento destes profissionais em uma era comunicacional de transição e incertezas.
Laura Tresca, especialista da Artigo 19, comentou que a presença dos jornalistas nas mídias sociais é absoluta (95% têm Twitter e, 94%, Facebook). O dado mais alarmante trata da autocensura, realidade de 44% dos entrevistados, que afirmaram se eximir de comentar determinados fatos, todos os dias, por medo de represálias.
Curiosamente, a pesquisa revela que os jornalistas estão perdidos quanto ao limite entre profissional e pessoal, já que 79% deles trabalham em empresas que não orientam sobre conduta nas redes digitais.
Para Oscar Ferreira, diretor-executivo e idealizador da 4x1 - empresa voltada à capacitação do uso profissional de rede sociais -, o temor dos jornalistas é injustificável, já que a autocensura é questão de "bom senso e noção". "O problema das mídias sociais e a relação de trabalho está em descobrir o 'senso' do local de trabalho. O brasileiro deveria prestar mais atenção na noção geral, antes de exigir liberdade de expressão".
A jornalista Vany Laubé chamou atenção para o aspecto positivo do uso das mídias sociais, como a oportunidade de receber informações antes escondidas. "É maravilhosa a possibilidade de nós, jornalistas, termos acesso a fontes antes impossíveis".
Os dividendos do advento das mídias sociais, segundo a jornalista, podem ser melhor aproveitados pela sociedade, pelos cidadãos que não têm relação com a imprensa. Ou seja, os maiores beneficiados dessa era não são os jornalistas.
"O [projeto] ficha limpa foi um dos primeiros movimentos a ganhar corpo na web e, depois, mudar de fato alguma coisa", exemplificou.
Quanto à possibilidade de as mídias sociais tornarem o jornalismo obsoleto, o professor Paulo Ranieri, da UPM, pontuou que a imprensa precisa se proteger, de certa forma, filiando seu conteúdo de internet à publicidade, o que poderá garantir investimentos e, assim, um nível de jornalismo imbatível.
"Não dá mais para separar jornalismo de publicidade. Sobretudo pelo crescimento das notícias voltadas exclusivamente para a web. Mas os portais, percebo, ainda estão perdidos, não sabem se vendem seus conteúdos ou não", disse.
O professor apontou, ainda, o que ele julga ser o maior benefício das redes sociais para toda a sociedade. "O conceito de 'Agenda Setting' foi modificado. Agora, as pessoas começam a dizer à imprensa sobre o quê ela deve falar. Até então, era a imprensa quem pautava as discussões, que sugeria os debates na esfera pública. Isso mudou".
Na opinião de Ranieri, a temida "Espiral do Silêncio" da teórica Elisabeth Noelle-Neumann foi por terra com as redes sociais. A teoria versa que as opiniões são manejadas por agentes sociais que tinham influência local - na maioria das vezes - sobre um determinado grupo de pessoas.
Logo, uma ideia central era acertada entre o grupo influenciado por este agente social. Os que não concordavam, eram prontamente isolados. "As redes sociais combatem esse conceito de espiral do silêncio", afirmou o professor.
Para ele, as opiniões divergentes não caem mais no ostracismo ou são prontamente rejeitadas; antes do descarte, são lançadas na esfera pública das mídias sociais, o que lhes dá uma sobrevida.






