"Jornalismo de imersão pode levar a novos formatos narrativos", diz editora americana
Editora de jornal americano fala sobre série especial produzida em realidade virtual
Atualizado em 15/10/2014 às 13:10, por
Rodrigo Álvares.
Lançado ao final de setembro pelo jornal The Des Moines Register, do estado americano de Iowa, o projeto de realidade virtual apresenta aos leitores como as mudanças demográficas e econômicas no país afetam a vida dos fazendeiros locais.
“Exploramos temas como idade, tecnologia e mudanças climáticas - fatores que têm afetado a agricultura em Iowa e, consequentemente, nos Estados Unidos”, explica Amalie Nash editora e vice-presidente de Engajamento de Audiência da publicação. Crédito:Reprodução Leitor pode caminhar pela fazenda virtual e entender pontos abordados na matéria
IMPRENSA - Como surgiu a ideia de usar a realidade virtual como uma ferramenta jornalística? Amalie Nash - A Gannett Digital nos contatou há alguns meses com a ideia de fazer uma parceria para um projeto cujo objetivo era contar uma história utilizando a realidade virtual. Um professor da Universidade de Syracuse tinha visitado a empresa e apresentou o Oculus Rift a eles, que imediatamente identificaram o potencial do dispositivo e nos consultaram.
Crédito:Divulgação
Amalie Nash, editora do Des Moines Register
Como vocês definiram que a pauta seria sobre as fazendas familiares de Iowa? Nós sabíamos que era importante definir uma pauta com bastante relevância em vez de simplesmente usar a tecnologia para mostrar algo bacana. Queríamos que fosse uma experiência de imersão, que levasse os leitores a pensar e os ensinasse um pouco sobre as mudanças demográficas nos Estados Unidos. Decidimos contar uma história através do ponto de vista de várias famílias de fazendeiros de Iowa, mas focamos nos Dammann – que vivem no sudoeste do estado. Exploramos temas como idade, tecnologia e mudanças climáticas - fatores que têm afetado a agricultura em Iowa e, consequentemente, nos Estados Unidos. Crédito:Reprodução
Fazenda foi recriada para oferecer aos leitores uma experiência de imersão em 3D
Quais foram os principais desafios do projeto? Para nós, as dificuldades consistiram em determinar a abrangência das histórias e o trabalho de reportagem de forma que tornasse possível focar nos pontos mais importantes. Como tudo era novo, fomos aprendendo durante o caminho. Nosso fotógrafo tirou centenas de fotos que foram enviadas ao pessoal da Gannett para que eles construíssem um ambiente de realidade virtual mais apurado possível.
Como isso foi feito? Eles contrataram a empresa Total Cinema 360 para os vídeos de 360 graus e nós filmamos e incorporamos o resultado no mundo da realidade virtual. O projeto requereu muita comunicação à medida em que trabalhávamos e felizmente tudo correu de maneira tranquila, já que contamos com um prazo relativamente apertado para conseguir o produto final.
Essa será uma das formas com as quais a imprensa vai se comunicar com a “Geração Minecraft”? Esta é uma boa pergunta. Acredito que este projeto mostra um grande potencial para que isso aconteça. Como os jornalistas vão interagir com as audiências mais jovens? Um dos caminhos é o tecnológico – como oferecer experiência que vão além da palavra escrita e da reportagem tradicional. Temos visto as técnicas narrativas evoluírem com novas ferramentas, mais plataformas e com as mídias sociais. O próximo passo pode ser a experiência de imersão. Claro que nem todos têm um Oculus Rift, mas acredito que não deve demorar muito.
Que outros usos esta plataforma pode ter? Existem oportunidades riquíssimas no campo da reportagem. A política é muito forte em Iowa e já estamos pensando em como usar essa tecnologia para cobrir a próxima eleição presidencial. Devemos chegar a um estágio onde você pode ir virtualmente a um show se não conseguir – ou não quiser – ir pessoalmente. Para mim, as possibilidades são infinitas.

“Exploramos temas como idade, tecnologia e mudanças climáticas - fatores que têm afetado a agricultura em Iowa e, consequentemente, nos Estados Unidos”, explica Amalie Nash editora e vice-presidente de Engajamento de Audiência da publicação. Crédito:Reprodução Leitor pode caminhar pela fazenda virtual e entender pontos abordados na matéria
Pela plataforma, o internauta pode caminhar pelas fazendas e acompanhar por meio de infográficos, trechos de vídeos e imagens sobre o assunto. Para Amalie, como se trata de uma plataforma nova, as principais dificuldades consistiram em “determinar a abrangência das histórias e o trabalho de reportagem de forma que tornasse possível focar nos pontos mais importantes”, mas que esse tipo de experiência de imersão pode ser o próximo passo para encontrar novos formatos narrativos para reportagens.
IMPRENSA - Como surgiu a ideia de usar a realidade virtual como uma ferramenta jornalística? Amalie Nash - A Gannett Digital nos contatou há alguns meses com a ideia de fazer uma parceria para um projeto cujo objetivo era contar uma história utilizando a realidade virtual. Um professor da Universidade de Syracuse tinha visitado a empresa e apresentou o Oculus Rift a eles, que imediatamente identificaram o potencial do dispositivo e nos consultaram.
Crédito:Divulgação
Amalie Nash, editora do Des Moines Register Como vocês definiram que a pauta seria sobre as fazendas familiares de Iowa? Nós sabíamos que era importante definir uma pauta com bastante relevância em vez de simplesmente usar a tecnologia para mostrar algo bacana. Queríamos que fosse uma experiência de imersão, que levasse os leitores a pensar e os ensinasse um pouco sobre as mudanças demográficas nos Estados Unidos. Decidimos contar uma história através do ponto de vista de várias famílias de fazendeiros de Iowa, mas focamos nos Dammann – que vivem no sudoeste do estado. Exploramos temas como idade, tecnologia e mudanças climáticas - fatores que têm afetado a agricultura em Iowa e, consequentemente, nos Estados Unidos. Crédito:Reprodução
Fazenda foi recriada para oferecer aos leitores uma experiência de imersão em 3D Quais foram os principais desafios do projeto? Para nós, as dificuldades consistiram em determinar a abrangência das histórias e o trabalho de reportagem de forma que tornasse possível focar nos pontos mais importantes. Como tudo era novo, fomos aprendendo durante o caminho. Nosso fotógrafo tirou centenas de fotos que foram enviadas ao pessoal da Gannett para que eles construíssem um ambiente de realidade virtual mais apurado possível.
Como isso foi feito? Eles contrataram a empresa Total Cinema 360 para os vídeos de 360 graus e nós filmamos e incorporamos o resultado no mundo da realidade virtual. O projeto requereu muita comunicação à medida em que trabalhávamos e felizmente tudo correu de maneira tranquila, já que contamos com um prazo relativamente apertado para conseguir o produto final.
Essa será uma das formas com as quais a imprensa vai se comunicar com a “Geração Minecraft”? Esta é uma boa pergunta. Acredito que este projeto mostra um grande potencial para que isso aconteça. Como os jornalistas vão interagir com as audiências mais jovens? Um dos caminhos é o tecnológico – como oferecer experiência que vão além da palavra escrita e da reportagem tradicional. Temos visto as técnicas narrativas evoluírem com novas ferramentas, mais plataformas e com as mídias sociais. O próximo passo pode ser a experiência de imersão. Claro que nem todos têm um Oculus Rift, mas acredito que não deve demorar muito.
Que outros usos esta plataforma pode ter? Existem oportunidades riquíssimas no campo da reportagem. A política é muito forte em Iowa e já estamos pensando em como usar essa tecnologia para cobrir a próxima eleição presidencial. Devemos chegar a um estágio onde você pode ir virtualmente a um show se não conseguir – ou não quiser – ir pessoalmente. Para mim, as possibilidades são infinitas.
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