Jornal "Nicolau" ganha reedição e ressalta influência literária dos anos 80

Jornal abriu espaço e influenciou outras publicações

Atualizado em 19/09/2014 às 16:09, por Alana Rodrigues*.

A cena literária paranaense ganhou destaque nos anos 80 com a produção poética, ficcional e de grandes entrevistas impressas nas páginas do jornal Nicolau , mantido pela Secretaria de Estado da Cultura e que vigorou entre 1987 e 1996. Para relembrar os feitos do suplemento, o governo e a Biblioteca Pública do Paraná (BPP) decidiram reeditar seus 60 números.

Crédito:Reprodução Os 60 números do suplemento foram relançados no Paraná
Durante cerca de um ano e meio, as 1.828 páginas de Nicolau , arquivadas na Biblioteca, passaram por digitalização e tratamento, o que resultou na tiragem de dois mil exemplares do fac-similar, distribuído a todas as bibliotecas públicas do Estado, instituições culturais do Paraná e do Brasil e aos colaboradores.

“Tentamos resgatar projetos editoriais que foram importantes na história do Paraná e que, de alguma maneira, precisam ganhar nova vida. Foi feito um pedido pelo próprio secretário de Estado junto ao conselho editorial do Núcleo de Edições, de que precisávamos resgatar imediatamente a história do Nicolau ”, explica o diretor da BPP Rogério Pereira.

Retrato literário

O Nicolau , nome familiar aos extratos emigrantes da região, nasceu com a intenção de suprir lacunas regionais como a necessidade de divulgação da literatura e de registrar a história do Estado. A publicação cumpriu o objetivo ao mesclar reportagem, ficção – diluída em contos e crônicas, poemas, depoimentos, resenhas, entrevistas, HQs e ensaios fotográficos.

Coordenado na maior parte de sua veiculação pelo escritor Wilson Bueno, a iniciativa foi de um grupo formado por nomes como Josely Vianna Baptista, Adélia Maria Lopes e Luiz Antônio Guinski. O suplemento conta ainda com participações de Paulo Leminski, Ferreira Gullar, Dalton Trevisan, Milton Hatoum e Sérgio Sant'Anna.

Uma das grandes entrevistas do literário foi com o político Luís Carlos Prestes logo após o fim da ditadura, na edição 12, e um especial sobre Leminski após a morte dele, no número 25. A ruptura veio quando em 1989, desavenças entre Guinski, produtor gráfico, e o secretário da cultura à época, René Dotti, resultou em sua demissão. Em solidariedade, a maior parte da equipe deixou o jornal, que foi reestruturado por Bueno.
Pluralidade

Pereira, que acompanhou o jornal como leitor, destaca que a publicação, encartada em mais de 25 veículos de imprensa e que chegou a ter mais de 20 mil assinantes, contava com elementos marcantes como a diversidade de conteúdos, forte referência gráfica e pluralidade de opiniões.

“O Nicolau segue uma tradição curitibana e não só deixou um legado importante nesse período como uma publicação que projetava o Paraná, mas no sentido de ser democrata em discussões sobre literatura e a cultura em geral. Ele mostrou a possibilidade de se fazer uma publicação importante fora do eixo dominante RJ-SP”, conclui.
O público pode ter acesso ao Nicolau por consultas, empréstimo em bibliotecas e, inclusive, no da BPP. Parte da tiragem poderá ser adquirida por R$ 50 reais (os 60 exemplares, em três caixas). O fac-similar será vendido diretamente na Biblioteca Pública do Paraná. O dinheiro arrecadado com a venda será revertido em atividades para o público infantil e infantojuvenil da instituição.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.