Jornal iraniano é fechado por publicar entrevista com homossexual

Jornal iraniano é fechado por publicar entrevista com homossexual

Atualizado em 06/08/2007 às 13:08, por Redação Portal IMPRENSA.

O governo iraniano determinou, no início desta semana, o fechamento do jornal moderado Shargh por ter publicado uma entrevista com uma militante homossexual. O homossexualismo é proibido na República Islâmica e a condenação para homossexuais pode chegar à pena de morte.

Segundo o diretor de publicações do Ministério iraniano da Cultura, Alireza Malekian, citado pela agência oficial Irna, "a razão essencial para o fechamento [do jornal] é uma entrevista com uma contra-revolucionária que tenta promover idéias imorais. Esta mulher é conhecida por promover a depravação em seu site".

A entrevista em questão, feita com a poeta iraniana Saghi Ghahreman, foi publicada no último sábado (04/08), sob o título "Linguagem Feminista". Saghi vive atualmente no Canadá, de onde mantém um site chamado Cheragh (Lanterna) dedicado a gays e lésbicas. Para o advogado da poeta, o fato de entrevistar uma pessoa não poder ser motivo para o fechamento do jornal.

Cabe agora à justiça iraniana decidir se o Sharg deve ser fechado definitivamente. Nesta segunda-feira (06/08), antes de parar de circular, o jornal publicou em sua primeira página um pedido de desculpas, afirmando ter entrevistado a mulher ignorando suas escolhas pessoais. O jornal prometeu que "evitaria no futuro este tipo de pessoas e seus movimentos".

Esta é a segunda vez em menos de um ano que o Shargh é fechado. Em maio, o jornal já teve a circulação proibida por ter publicado uma caricatura considerada insultante pelo presidente Mahmud Ahmadinejad.

Além do Sharg , o governo iraniano vem promovendo uma série de ofensivas contra a imprensa e vários jornais e agências moderadoras já tiveram suas portas fechadas. A última grande ofensiva ocorreu em 2000, quando o poder judiciário, dominado pelos conservadores, fechou dezenas de publicações ligadas aos reformadores então no poder. Com informações da AFP.