Jornal impresso sem identidade, por Fábio Pereira*, estudante de Jornalismo da Uninove
Jornal impresso sem identidade, por Fábio Pereira*, estudante de Jornalismo da Uninove
Historicamente, o surgimento de um veículo de comunicação postulante a coqueluche das massas não extinguiu o seu antecessor. O rádio não fez desaparecer o jornalismo impresso. A TV não destruiu o dial. E tem sido assim com a internet. O que cada veículo nascente faz é provocar mudanças no antecessor.
O jornal impresso não é o mesmo desde o aparecimento da TV. Os textos longos se foram. Entraram nas páginas as inúmeras fotos, ilustrações, infográficos e diagramação preocupada com a clareza.
O problema é perder identidade. O jornal impresso parece querer se igualar à TV aberta, que ainda é reduto generalista, e à internet, com possibilidades mil de arquivamento de assuntos, podendo satisfazer tanto o leitor superficial quanto o pesquisador, que deseja ir a fundo em seu tema preferido.
No Brasil, os jornais vivem saltos nas tiragens. Mas isso é engano. Com a popularização da banda larga, o conteúdo do jornal vai ser substituído pelo do computador.
Aos impressos não cabe a pretensão de se tornarem veículos de massa, mas sim a de informar bem a um público específico. O jornal não tem característica atraente à maioria. Para consumi-lo é preciso saber ler e entender o que se lê.
O jornal contribuiria mais tendo profundidade, menor número de assuntos e conteúdos específicos a determinado público. Tudo aliado ao texto sucinto e a diagramação atual. Fora isso, o impresso poderia investir no debate sobre mídia. A imprensa discute pouco o jornalismo.
Tais mudanças reduziriam o público. E isso não é elitismo. É sobrevivência. Do jeito que está, o jornal impresso vai continuar a ser uma péssima cópia da TV e internet. Sem criar identidade e optar pelo tipo de leitor, o jornal vai deixar de ser uma opção.
* Fábio Pereira trabalha como produtor de TV e cursa o 3º ano de jornalismo no Centro Universitário Nove de Julho (Uninove).






