Jornal Folha de S. Paulo: nove décadas de amor e ódio
Jornal Folha de S. Paulo: nove décadas de amor e ódio
Jornal Folha de S. Paulo : nove décadas de amor e ódio
PorA Folha de S. Paulo completa 90 anos neste sábado (19). Com uma tiragem que ultrapassou 294 mil exemplares em 2010, o jornal figura entre os principais do país. O periódico participou de momentos emblemáticos na história da política brasileira. Entre tantos, a doença e morte de Tancredo Neves em 1985, as Diretas Já entre 1983 e 1984 e o impeachment do Presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Em 2005, a Folha reproduziu a entrevista do então deputado Roberto Jefferson, que denunciou o esquema do "mensalão" para a jornalista Renata Lo Prete.
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| 15 de janeiro de 1921 |
Apesar dos grandes acertos, o veículo também é alvo de polêmicas como a utilização do termo "ditabranda" em editorial de 17 de fevereiro 2009, comparando o período militar pelo qual passou o Brasil com ditaduras de outros países da América Latina. À época, cerca de 300 pessoas se reuniram em frente à sede do Grupo, em São Paulo, para protestar. Fato que levou o diretor de redação Otavio Frias Filho a afirmar em nota que "o uso da expressão 'ditabranda' foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis", declarou.
Em 2010, a Folha voltou a ser alvo de polêmicas após as ações contra o site "Falha de S. Paulo", uma paródia criada pelo jornalista Lino Ito Bocchini e seu irmão Mário Ito Bocchini. O caso rendeu a critica de Suzana Singer, ombudsman da Folha, que considerou as ações contra os criadores do site um "micaço". Oficialmente, o jornal afirmou que não se tratava de censura, mas de uma reivindicação pelo uso indevido de sua marca.
A publicação também é taxada por uma ala conservadora de esquerda de líder do Partido da Imprensa Golpista (PIG), expressão cunhada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim e adotada por entidades políticas de esquerda. Grupos que, em 2010, fizeram manifestações alegando que o jornal queria levar as eleições para o segundo turno, por meio da disseminação de factoides e inverdades sobre o Governo e a então candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff.
Grandes nomes
A Folha foi casa de grandes jornalistas brasileiros. Para Luis Nassif, colunista e membro do conselho editorial entre 1983 e 1987 e depois entre 1991 e 2006, o periódico perdeu seu DNA desde que o Octávio Frias - "Seu Frias" - deixou o comando da empresa. "Ele tinha uma intuição jornalística fantástica e para mim foi um dos maiores empresários de comunicação que o Brasil já teve. Ele permitiu nos anos 80 que o jornal desse um salto".
Nassif destaca que nesta época o veículo tinha um DNA irreverente, mas eficiente. "Era a postura de um adolescente irresponsável, algo que o leitor gostava". Mas o jornalista lembra que quando o "Seu Frias" saiu de cena, o jornal se perdeu. "A Folha cometeu o grande erro de ficar a reboque da revista Veja , quando você é líder tem que ter autenticidade", afirma.
Apesar de considerar que atualmente o jornal já não consegue retomar a posição que teve no passado, Nassif recorda que enquanto trabalhou lá teve total liberdade como colunista. "O período que estive lá tinha liberdade de opinião para fazer a crítica da própria Folha , isso era uma das marcas do períodico e só acontecia porque o "Seu Frias" dava segurança", conclui.
Carlos Eduardo Lins da Silva, que está na Folha desde 1983 e foi ombudsman de 2008 a 2010 comenta que a Folha foi sua experiência profissional mais marcante. "Ainda é um veículo de liderança, de grande influência e que continua sendo inovador e estabelecendo padrões de alta qualidade para o mercado editorial", diz.
O colunista do Portal R7, Daniel Castro, que trabalhou na Folha por 17 anos, afirma que o veículo representa o que há de melhor no jornalismo impresso brasileiro. "Minha experiência foi muito interessante no jornal. Apesar de todos os pesares eu acho que a Folha consegue fazer jornalismo de verdade, como ele deve ser". Castro aponta que existem muitas criticas direcionadas ao jornal no campo político, mas que ele nunca teve problemas Sua grande cobertura foi o "Collorgate" em 1992.
Ricardo Kotscho afirma que teve sorte de trabalhar na Folha. "Fiz muitas reportagens por todo o Brasil, foi um período que me marcou muito. Lembro do 'Seu Frias' me dizendo que eu tinha total liberdade, a partir daí ficamos amigos". Kotscho ficou na Folha entre 1980 e 1986 e depois voltou em 2001 ficando até 2002 quando assumiu a campanha do Lula. Para o jornalista atualmente a Folha já não difere de outros jornais. "Os jornais brasileiros estão muito parecidos", assinala.
Assunto de família
A atual gestão do veículo é marcada pelo estilo analítico e operacional do diretor de redação Otavio Frias Filho, ele já falou com a revista IMPRENSA em duas ocasiões: em 1987 três anos após ter assumido o comando da empresa e em 2007 Sua nomeação em 1984 marcou um momento de transição do veiculo que deixou de ter um posicionamento romântico para ser operacional. "A Folha é um jornal muito sensível e permeável ao que está acontecendo no meio social. Não tem a linearidade da tradição do Estado. Mas é uma publicação mais leve, que responde com rapidez às situações", afirmou Frias à revista.
A Folha foi comandada por um dos mais importantes empresários da comunicação do Brasil, o Sr. Octávio Frias de Oliveira que fez do jornal um dos mais influentes do país. Frias foi proprietário do Grupo Folha da Manhã, responsável por editar a Folha de S. Paulo , o jornal Agora, o Universo Online (UOL), o Instituto Datafolha, a Editora Publifolha, a Gráfica Plural e o jornal Valor Econômico , em parceria com as Organizações Globo. Octavio Frias faleceu em 29 de abril de 2007.
Comemorando com os leitores
Para comemorar os 90 anos do jornal, a Folha pediu a seus leitores que enviassem cartas a serem selecionadas. "Envie uma declaração em texto, áudio ou vídeo sobre a Folha . É o momento de lembrar uma manchete de impacto, uma cobertura marcante, um colunista de sua predileção, um caderno que mais lhe agrade ou uma foto que o tenha impressionado".
Além disso, o jornal lançou um livro em que reúne 223 capas do principais eventos noticiados nas últimas nove décadas da Folha. A obra começa com a primeira capa do jornal, ainda chamado de Folha da Noite, publicada em 15 de janeiro de 1921, e termina com a eleição da petista Dilma Roussef para a Presidência da República.
*Colaborou Eduardo Neco/Redação Portal Imprensa.
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