Jornal denuncia lista de proibições impostas pela China para cobertura dos Jogos
Jornal denuncia lista de proibições impostas pela China para cobertura dos Jogos
A edição desta terça-feira (12) do jornal independente South China Morning Post denunciou que as autoridades chinesas enviaram, em julho deste ano, uma lista contendo 21 proibições à imprensa local. Assuntos como o posicionamento dos chefes de Estado e de Governo durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, protestos, problemas de segurança alimentar ou qualquer emergência que ocorra em uma competição estão entre os temas que não podem ser abordados pelos jornalistas.
O periódico afirmou ainda ter ouvido como fonte jornalistas chineses que relataram terem sido impedidos de informar sobre o ataque a um cidadão americano no último sábado (9). As autoridades teriam confiscado cadernos com notas de repórteres chineses que entrevistaram a equipe americana de vôlei masculino, já que a vítima fatal do ataque era sogro do treinador desse time.
O acesso a páginas de internet com conteúdos críticos ou que incomodam o Governo do país-sede das Olimpíadas (sobre direitos humanos, Tibete, democracia, Praça da Paz Celestial, Anistia Internacional) também está vetado, fato que surpreendeu jornalistas estrangeiros presentes no Centro Internacional de Imprensa, há duas semanas, haja vista que Pequim havia prometido respeito à liberdade de imprensa.
Outra exigência é que os repórteres usem o termo "China Taipe" ou "ilha preciosa" para se referirem a Taiwan - ilha considerada pela China como parte de seu território. Os profissionais da imprensa também não podem usar palavras considerados racistas, como "branco" ou "negro", ao fazerem referências a pessoas.
Para fiscalizar o cumprimento das normas, os departamentos provinciais de propaganda receberam ordens de realizar reuniões diárias com a imprensa de suas respectivas regiões.
Sun Weid, porta-voz do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog), disse "desconhecer a situação" e que "os jornalistas chineses possuem direito de cobrir os Jogos. Seus direitos estão protegidos pela Constituição chinesa".
Na última segunda-feira (11), a Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), que reúne mais de 500 mil profissionais em todo o mundo, denunciou que os enviados especiais aos Jogos estão sendo fotografados, filmados e seguidos por agentes à paisana em Pequim, o que reitera a violação à liberdade de imprensa prometida pelo Governo chinês.
Com informações da Efe
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