Jornal americano critica produção de etanol no Brasil
Jornal americano critica produção de etanol no Brasil
Uma reportagem do jornal americano Los Angeles Times desta segunda-feira (16), classificou como "segredo sujo do etanol" o crescimento da economia brasileira impulsionado pela produção do combustível, obtido a partir da cana-de-açúcar. O jornal enfatizou as condições primitivas de trabalho a que são submetidos os catadores de cana.
O LA Times chamou o Brasil de "Arábia Saudita dos biocombustíveis", com mais de trezentos mil trabalhadores temporários na indústria de cana vivendo sob condições que variam de "deploráveis à completa servidão".
Fontes do Ministério Público ouvidas pelo jornal afirmam que "pelo menos 18 cortadores de cana morreram nos últimos anos, vítimas de desidratação, ataques cardíacos ou outros fatores ligados à exaustão em regiões onde a floresta passou a dar lugar à agricultura".
"Isto não inclui um número desconhecido de outros que morreram em acidentes, por excesso de trabalho. Até prisioneiros têm melhores condições de vida", disse o promotor Luis Henrique Rafael ao diário americano, que acrescentou: "a única forma de lazer deles é a cachaça".
O relatório pela Anistia Internacional, divulgado no mês passado, foi citado pelo periódico americano. O documento denunciou que mais de mil catadores de cana foram resgatados, em junho do ano passado, após terem sido submetidos a trabalho escravo por um grande produtor de etanol no estado do Pará.
O Los Angeles Times afirma que as crescentes críticas internacionais provocaram a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que o governo e produtores querem melhorar as condições de trabalho na indústria da cana.
O jornal destacou uma parte do discurso de Lula durante a conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura de Alimentos (FAO), em que o presidente comparou o trabalho nas lavouras de cana ao trabalho das minas, ressaltando que foram elas a base do desenvolvimento na Europa. "Peguem uma faca para cortar cana e depois vão a uma mina a 90 metros de profundidade para explodir dinamite. Vocês verão o que é melhor", disse Lula na conferência.
Na reportagem, trabalhadores de cana que foram entrevistados, reclamaram do regime de trabalho, dizendo trabalhar 12 horas por dia, às vezes sete dias por semana sob um sol escaldante.
"Como migrantes de outros países, eles sucubem às suas reivindicações diante da falta de oportunidades de emprego", afirma o jornal.
Com informações da BBC
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