Jornal alemão mais lido na Europa diz que Grécia é "um país de fraudadores"

"Esta função de controle responde ao nosso trabalho de imprensa independente", diz editora do "Bild"

Atualizado em 11/05/2015 às 10:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Desde 2010, o alemão Bild , o mais lido na Europa, acusa o governo da Grécia de desperdiçar dinheiro do contribuinte alemão. "Vocês, gregos, já basta!", diz uma recente edição do diário, após os novos confrontos com credores europeus.
Crédito:Reprodução Editora do jornal diz não ter nada contra a Grécia, apesar de chamada polêmica
A publicação, entretanto, nega que seja um ataque intencional. "Não temos nenhum problema com os gregos. Pelo contrário!", disse a chefe da editoria de política, Bela Anda, à AFP. "É um belo país com uma cultura rica", acrescentou.
Em março, todos os deputados alemães receberam uma carta do Bild perguntando se eles votariam contra, a favor ou se absteriam a um terceiro plano para a Grécia, ainda que por enquanto não haja nenhum plano de assistência adicional."Temos que ver o que eles fazem com o dinheiro dos nossos impostos", esclareceu Bela. "Esta função de controle responde ao nosso trabalho de imprensa independente."
O jornal não menciona o cargo de Alexis Tsipras, primeiro-ministro, mas o chama de "terror da Europa" ou "chefe dos radicais gregos". Segundo Wolfgang Storz, especialista no jornal, "esta forma de trabalho, que consiste em adicionar lenha na fogueira, é o modelo de negócios do Bild ."
"O objetivo é maximizar o público. Um dia é o ministro grego das Finanças, no dia seguinte pode ser o divórcio de uma celebridade, no terceiro, uma visita a um clube de swing de um jogador de futebol", disse.
Apesar de ser classificado como o jornal mais lido, o Bild também enfrenta uma queda de seus leitores. Os 2,2 milhões de exemplares vendidos diariamente representam apenas metade das vendas de 15 anos atrás.
Com o declínio, o conteúdo impresso passou a ser mais agressivo. No fim de fevereiro, o Bild trouxe uma reportagem de capa com a inscrição "NEIN" ("não", em alemão) em resposta à extensão em condições de ajuda financeira à Grécia adotadas pelos deputados alemães.