Jornal acusa delegado de barrar repórter em coletiva; divulgação de off teria motivado boicote
Jornal acusa delegado de barrar repórter em coletiva; divulgação de off teria motivado boicote
O jornal Diário da Região , do interior do estado de São Paulo, acusa o delegado-assistente José Augusto Fernandes de proibir a entrada e intimidar sua equipe de reportagem durante uma coletiva de imprensa no último sábado (6).
Assistente na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), de São José do Rio Preto (SP), Fernandes teria impedido que a jornalista Graziela Delalibera e o fotógrafo Sérgio Menezes acompanhassem a apresentação de três acusados de latrocínio ocorrido na cidade de Mirassolândia por represália à publicação de uma matéria a respeito do crime.
O caso de latrocínio de Juliano Ricardo Freitas Assunção, filho de um comerciante da região, ganhou notoriedade por ter levado à cadeia quatro acusados que teriam confessado a autoria do crime após sessões de tortura por parte da polícia local. Três dos acusados chegaram a ficar presos por 13 meses, antes que fossem inocentados pelo juiz Flávio Artacho. A 5ª Corregedoria Auxiliar de Rio Preto reabriu inquérito para investigar o delegado titular de Mirassolândia, Amaury Sheffer de Oliveira Junior, além dos policiais civis envolvidos nas prisões.
Ao prender três novos acusados, o delegado-assistente teria comunicado - em off - toda a imprensa local e anunciado a coletiva para o dia seguinte, sábado. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Fernandes declarou que Alan de Abreu, repórter do Diário da Região , descumpriu o pacto de off entre ele e todos os veículos de comunicação ao publicar, na edição de sábado, matéria sobre os acusados e sobre a suposta tortura da polícia local.
"Esse jornalista foi desleal comigo; ele adiantou a matéria para furar os outros; ele quebrou o acordo entre o delegado e os órgãos de imprensa", explicou Fernandes.
No dia da coletiva, o jornal escalou Graziela Delalibera e Sérgio Menezes para a cobertura, mas ambos teriam sido barrados. Fernandes nega: "Eu fiquei marcado, sentido com ele [Freitas], não com o jornal. Ele não foi ético...mas eu não proibi a entrada de ninguém". No entanto, o delegado-assistente confirmou que negou-se a dar qualquer declaração à reportagem do Diário . "Eu não dou entrevista a vocês por deslealdade", disse, "mandem outra pessoa que eu passo tudo sobre o caso", relatou.
Fernandes informou que a Delegacia Geral da região pediu explicações a respeito do episódio e que ele enviou ao jornal um comunicado com sua versão sobre o fato e requisitou publicação na seção "Carta do Leitor".
Ao Portal IMPRENSA, Graziela declarou que, ao ser barrada, comunicou o fato à redação, que requisitou à Seccional a liberação da entrada da equipe. Mesmo autorizados a entrar pela instância superior, a repórter e o fotógrafo permaneceram na recepção da delegacia. "Se o problema do delegado era comigo, e não com o jornal, por que ele não permitiu que o nosso fotógrafo subisse para fazer fotos dos acusados?", indagou a jornalista, que também assinou a reportagem que teria motivado o desentendimento. Ela salienta que, em nenhum momento, Fernandes foi agressivo.
Alan de Abreu, disse que "não havia acordo de off" com o delegado, uma vez que ele não passou informações privilegiadas sobre o caso. "Ele disse que iria passar informações na sexta e, claro, que o anúncio suscitou nossa apuração. Em caso de informações privilegiadas, eu teria sido antiético, mas não, elas eram básicas", explica. Abreu disse que nenhum outro veículo tinha a conhecimento da investigação sobre as supostas torturas, e que a informação é proveniente de fontes do jornal.
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