Jornais seguem tendência internacional e apostam em TVs online em seus sites

No mundo digital de hoje, os jornais impressos tradicionais viram-se atraídos a não só produzir conteúdo online, mas suas próprias seções devídeos, como a , e a ZHTV, da Zero Hora .

Atualizado em 04/10/2013 às 15:10, por Maurício Kanno.

As três afirmam que sua produção começou em 2007, mas a Folha também migrou para a TV aberta em 2012. Crédito:Reprodução Apresentador e editor da TV Folha, também na TV Cultura
Luiz Fernando Bovo, editor-executivo de Conteúdos Digitais do Grupo Estado, especifica que a TV Estadão começou no dia da queda do avião da TAM, 17 de julho de 2007. Ainda assim, ele acredita que houve um período em que essa TV tinha uma pauta própria, menos conectada com o jornal. “Com o tempo, houve uma aproximação e foi nesse momento que ela ganhou relevância”, diz ele.

Neste mesmo ano, ocorreu o lançamento do site do jornal Zero Hora . Desde o início, a publicação contava com profissionais multimídias, “pessoas responsáveis por contar histórias em vídeo e fotos”, segundo Marlise Brenol, editora multimídia. “Não havia uma produção sistemática e, normalmente, os vídeos acompanhavam reportagens especiais do impresso.” Mas especificamente, o site foi lançado somente em junho de 2013.


Na Folha , até 2010, a produção de vídeos acontecia de modo mais esporádico, básico e experimental, diz Fernando Canzian, editor do TV Folha. “Eram bem feitos, mas comparando com os de hoje, a gente olha para esses mais antigos e fala: 'que toscos que eram'”, brinca.
TV aberta O grande marco para a TV Folha foi o início da produção de conteúdo para a televisão aberta, em março de 2012, depois de um convite da TV Cultura. “O nível de exigência então passou a aumentar muito”, explica Canzian. “Afinal, entrávamos em competição com programas de domingo à noite da televisão, como "Fantástico", na Globo, e "Domingo Espetacular", na Record.”
Tratam-se de conteúdos de vídeo aproveitados e indexados pelas editorias da Folha em seu site. Assim, com o aprendizado e qualidade adquiridos, mesmo que eventualmente se interrompa a parceria, seguem no jornal, diz o editor.
Ele relata que no início, a audiência do programa na Cultura foi bem abaixo do esperado pelo jornal: cerca de 0,6 a 0,7 ponto no Ibope, quando a meta seria de um ponto – equivalente na Grande São Paulo a 62 mil domicílios ou 180 mil pessoas. Mas hoje, após cerca de um ano e meio e mais de 80 programas no ar, a média mais que dobrou para 1,4 a 1,5, já tendo chegado a 1,9.
Crédito: J.F.Diorio/Estadão Conteúdo Luiz Fernando Bovo, editor de Conteúdos Digitais do Estadão Identidade A TV Estadão, por outro lado, afirma ter um foco claro de não buscar competir com TVs tradicionais. “Nosso objetivo é usar o vídeo para discutir temas importantes, fazer entrevistas que sejam relevantes, contar uma boa história e amplificar a distribuição do nosso conteúdo”, diz Bovo.
“E não usamos conteúdos prontos de parceiros e/ou terceiros, somos os produtores do nosso conteúdo”, acrescenta ele. Outro destaque seria sua programação ao vivo, além do grande número de especialistas e formadores de opinião que passam por seus estúdios.
Já a TV Folha declara que seu grande mérito foi de ter definido sua linguagem própria. Seria de “mini-documentários”, estendendo a maneira como se veria uma matéria tradicional da Folha – pinçando entre assuntos que teriam maior apelo visual. “E você não vai ver um cara de pé com microfone na mão contando a história, como no "Jornal Nacional"”, diz Canzian. “Mostramos a narrativa com as próprias imagens do assunto e infográficos.”

Para a editora multimídia da Zero Hora , a linguagem de webtv está em construção, mas o jornal gaúcho busca como inspiração as produções de documentários para cinema e televisão. “Essas referências, associadas a características próprias da web, como consumo sob demanda, interação e compartilhamento, direcionam as nossas criações”, diz. “Uma das fórmulas já aprovadas pelos nossos internautas é o vídeo com narrador oculto, ou seja, os personagens contam as histórias e o jornalista se transforma mais em roteirista do que em repórter participativo.”
A finalização da edição do zerohora.tv usa recursos como efeitos de áudios, trilhas e efeitos de vídeos para complementar e "prender" a atenção do internauta. Há também categorias específicas de vídeos, como os videográficos, em que os conteúdos são apresentados com aplicações de arte e ilustração sobre as imagens ou fala dos jornalistas.
Crédito:Reprodução Site da ZHTV, com programa esportivo Produção Os programas semanais da Folha na TV Cultura, para os quais 80% de seus esforços da equipe de multimídia são voltados hoje – até devido ao patrocínio específico que possuem para isso – são compostos de seis vídeos com cerca de 4 minutos e meio cada. “Às vezes,há também edição própria de um deles na versão online, que pode ficar mais longa”, conta Canzian. Quanto à produção avulsa específica para o site, por ora não há meta específica de duração ou frequência.
O Estadão já define como média a publicação no site de oito vídeos diários, com duração média de três minutos. Isso sem contar os eventos ao vivo, que também ocorrem semanalmente.
Na Zero Hora , foi montada uma grade de programação semanal de vídeos, com seis programetes curtos de dois a cinco minutos de duração, de segunda a sábado, com temas desde esportes até gastronomia, apresentados por jornalistas. Também há videorreportagens relacionadas à pauta do dia, videográficos e agora webdocumentários sobre os 25 anos da Constituinte. Equipe A Folha mantém hoje dez pessoas em sua equipe de vídeos, incluindo quatro cinegrafistas, além de produtores, editores e “anfíbios”. A equipe foi dobrada quando começou a parceria com a TV cultura.
No Estadão , são seis pessoas: editora, coordenador técnico, coordenadora de conteúdo, dois editores e um estagiário. “Todos fazem de tudo, ou seja, pauta, produção, operação e edição”, explica Bovo.
A Zero Hora não especifica a equipe de vídeos, mas diz que a editoria Multimídia tem 25 pessoas, entre editores, fotógrafos, editores de vídeo, produtores e assistentes de imagem.