Jornais estão aquém das necessidades do consumidor moderno, diz Earl Wilkinson, diretor da INMA
Jornais estão aquém das necessidades do consumidor moderno, diz Earl Wilkinson, diretor da INMA
Jornais estão aquém das necessidades do consumidor moderno, diz Earl Wilkinson, diretor da INMA
Por"Jornais não podem ser definidos como algo feito em papel. Devem ser definidos pelo conteúdo - notícias. Todos temos de nos tornar independentes quanto ao método de distribuição. Temos de ser tão fortes na Internet, na TV e em rádio quanto somos em papel impresso".
Essa frase, dita em 2002 por Arthur Sulzberger Jr. - publisher do jornal norte-americano The New York Times - e citada nesta terça-feira (19) por Earl Wilkinson, diretor-presidente da INMA ( International Newsmedia Marketing Association ), reforçou o que já é consenso no 7º Congresso Brasileiro de Jornais: vivemos uma revolução digital, e para não ficar para trás a indústria jornalística precisa se adaptar.
Wilkinson explica que o advento da classe média é determinante nessa mudança, já que ela instaurou novos padrões de consumo de bens e de informação. "Bem vindo ao mundo da classe média baixa", ironizou. "Hoje os lares americanos têm mais TVs que pessoas. A abundância de consumo e o aumento dos padrões causa confusão nos nossos valores", disse o executivo.
Pressão sobre os jornalistas
| Studio 3X/Divulgação |
| Earl Wilkinson |
"Se você quer saber o que é mais importante na mídia hoje, converse com jornalistas, repórteres, fotógrafos, e não editores ou presidentes das empresas. Os profissionais estão assustados, porque não é mais suficiente fazer uma reportagem; é necessário fazer blogs, podcasts, vídeos. Exigem muito mais dos jornalistas do que eles aprenderam nas escolas. A revolução digital está impondo novos valores", explicou o diretor da INMA.
Outro palestrante do congresso promovido pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), Randy Covington, diretor da IRFA, Newsplex na Universidade da Carolina do Sul, complementa com números esta constatação: dos cem jornais mais influentes dos Estados Unidos, 92% usam vídeo, 95% têm blog e 49% usam podcast.
Influência do público
"Estariam os jornais preparados para defender o valor dos recursos individuais?", pergunta Wilkinson, que responde de pronto: "nós, jornalistas, somos apaixonados pelos valores que temos: nosso público, marca e conteúdo. Mas o futuro é saber definir o público e conhecê-lo a fundo, e a partir daí pensar em marca e conteúdo. Entendendo esse valor podemos entrar na era da informação".
Wilkinson acha que, apesar de todos os números positivos do Brasil, 50% das mudanças devem chegar aqui nos próximos 10 ou 15 anos, e se não começarmos a pensar nisso hoje, nos próximos cinco anos vai ser tarde demais. "O impresso está morto? Absolutamente não. Mas será diferente, porque agora nos perguntamos o que tem valor na imprensa, na notícia e no jornal", conclui.
Já Randy Covington, após elencar os problemas enfrentados pelas empresas jornalísticas nos Estados Unidos - como queda acentuada nos números de exemplares em circulação, demissões em massa e diminuição dos leitores -, e as tentativas para melhorar, enfatizou: "O que funciona em um país não necessariamente funciona em outro. Se as coisas estão dando certo no Brasil quero ser o último a dizer 'mude tudo', porque alguma coisa certa vocês estão fazendo".
O 7º Congresso Brasileiro de Jornais é promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e acontece na cidade de São Paulo (SP), nos dias 18 e 19 de agosto, no WTC.
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