Jornais de bairro promovem relação mais próxima com público, dizem editores

Eles são distribuídos gratuitamente, têm redações enxutas, forte relação com os leitores e já começam a sentir os efeitos da crise na imprensa.

Atualizado em 19/07/2013 às 18:07, por Edson Caldas*.


Crédito:Reprodução Jornais de bairro fazem ligação entre público e serviços
A Associação dos Jornais de Bairro de São Paulo (AJORB) representa 61 publicações deste tipo na capital paulista, a maioria delas, na zona leste da cidade. “O papel que desempenham é o de prestação de serviço”, diz Edson Vieira, editor-chefe da Folha Noroeste , veículo quinzenal com tiragem de 80 mil exemplares.
“Eles atuam como se fossem um ponto de ligação entre a população local e as autoridades regionais assim como um difusor das novidades, notícias e lançamentos do comércio local”, explica Ana Claudia Nagao, jornalista responsável pelos quatro jornais do Grupo Sul News ( Gazeta de Santo Amaro, Gazeta do Brooklin & Campo Belo, Jornal de Moema e Interlagos News ).
Crédito:Reprodução Publicações têm dificuldades com anunciantes
De acordo com Ana, a imprensa de bairro é aquela que guarda a memória, as histórias e os feitos daqueles que atuaram na construção, desenvolvimento e progresso da região. “No caso da Gazeta de Santo Amaro , que circula há 53 anos, toda a história e memória do bairro nesse período está impressa em suas páginas”, conta. Os jornalistas do periódico acabam sendo frequentemente consultados como fontes de pesquisa acerca da história da zona sul paulista.
Crise na imprensa
Para Camila Alvarenga, editora da Gazeta da Zona Norte (57 mil exemplares semanais), o momento de adaptação de toda a imprensa não exclui os veículos regionais. “No entanto, percebo que o espaço dessas publicações está cada vez mais definidos.”
Crédito:Reprodução Feedback das pautas dos jornais de bairro é rápido
Segundo Edson Vieira, da Folha Noroeste , o jornal de bairro esbarra na dificuldade de ter de lidar com empresas que não têm a “cultura de anunciar”. “A maior parte delas veem isso como gasto, não como investimento. Então, a primeira coisa que eles fazem quando precisam cortar gastos é cortar [verbas destinadas a] jornais e a revistas.”
Leitores fiéis
Quem recebe os impressos em casa acaba se acostumando à companhia dos veículos. Segundo Camila Alvarenga, a relação que a publicação tem com o público é “muito próxima”, já que os leitores têm acesso à redação. “Podem trazer sugestões de pautas e reclamações. Na grande maioria das vezes, já [recebemos] o retorno do que aconteceu com os temas abordados em pauta”, diz.
Graziela Guerriei, repórter dos jornais Ipiranga News e Jabaquara News , o feedback é instantâneo. “Fechamos o jornal na quarta. Na quinta-feira, ele é distribuído e, na sexta, já recebemos muitas ligações.”
Crédito:Reprodução Publicações de bairro têm papel histórico das regiões em que atuam
Pensando nisso, a Folha Noroeste tem uma seção em que os leitores mandam reclamações sobre o bairro e o veículo faz a intermediação dos pedidos. De acordo com o editor-chefe, o objetivo é atuar como uma "ponte".
O serviço prestado pelos veículos faz com que sejam imprescindíveis para os moradores. “Grande parte dos nossos leitores nos seguem há anos, muitos desde a fundação do jornal, outros há 10, 20 anos”, diz Ana Claudia. “Pessoas que nasceram, cresceram e ainda moram em bairros como Santo Amaro e Brooklin, por exemplo, e até hoje recebem o jornal semanalmente em suas casas.”
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves