Jornais criticam proposta que restringe cobertura das eleições na internet
Jornais criticam proposta que restringe cobertura das eleições na internet
Nesta sexta-feira (4), dois dos principais veículos impressos do país expuseram opiniões contrárias à aprovação integral do projeto que restringe a cobertura eleitoral na internet. Em editoriais, O Estado de S.Paulo e O Globo se baseiam na Constituição Federal e ressaltam que a decisão fere o direito à liberdade de imprensa no país.
Para o veículo paulistano, os relatores do projeto que regulamenta a campanha de 2010 - senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE) - ignoraram "clamorosa realidade" citada pelo ministro do Supremo, Carlos Ayres Britto, durante a revogação da Lei de Imprensa.
"Silenciando a Constituição quanto ao regime jurídico da internet, não há como se lhe recusar a qualificação de território virtual livremente veiculador de ideias, debate, notícia e tudo o mais que se contenha no conceito essencial da plenitude de informação jornalística no nosso país", parafraseou O Estado de S.Paulo o argumento levantado pelo ministro da Corte.
Em editorial intitulado "Projeto falho", O Globo critica a proposta de igualar a cobertura na web às regras aplicadas ao trabalho da imprensa nos segmentos de TV e rádio. Na avaliação do jornal carioca, por si só a regulamentação vigente sobre a mídia audiovisual é dotada de falhas, e "estendê-las à internet é duplicar o erro".
"A questão de fundo, logo se vê, é a da futilidade de submeter a rede a controles atentatórios à liberdade de expressão, como esses de que os políticos querem cercá-la, quanto mais não seja porque a punição aos transgressores é praticamente impossível", menciona o Estadão .
O editorial do veículo da família Mesquita ainda levantou o caráter político da reforma, ao apontar que as comissões do Senado mantiveram o dispositivo que permite aos partidos receber doações anônimas durante a campanha eleitoral. "Os políticos podem ter um conhecimento rudimentar da realidade virtual, mas são doutores em matéria de proteger seus interesses".
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