Jornadas beltranianas, por José Marques de Melo
Em 2018, a comunidade acadêmica de ciências da comunicação vai celebrar o centenário de nascimento do seu patrono brasileiro. Natural de Oli
Atualizado em 03/07/2014 às 14:07, por
José Marques de Melo.
Crédito:Leo Garbin nda, onde nasceu no dia 8 de agosto de 1918, o pernambucano Luiz Beltrão conquistou lugar de destaque na galeria das ciências humanas ao fundar, em 1963, o primeiro instituto nacional de pesquisa em nossa área do conhecimento.
Festejado pelas novas gerações, o professor nordestino inspirou-se na concepção gramsciana de folclore cultivada pelo baiano Édison Carneiro, estudando o processo de aculturação das populações marginalizadas, procedentes da zona rural; fenômeno por ele rotulado como folkcomunicação.
Do Recife, onde fez suas primeiras observações sobre o ex-voto como veículo jornalístico, migrou para Brasília, desvendando a complexidade das expressões informativas e opinativas dos “candangos” (habitantes dos cinturões de miséria que se multiplicaram ao redor da capital federal). Este foi o objeto da sua tese de doutorado, defendida na Universidade de Brasília, em 1967, cuja segunda edição acaba de ser lançada pela Editora da PUC de Porto Alegre.
Luiz Beltrão ganhou notoriedade por ter sido o primeiro doutor em ciências da comunicação do país, o que justificou a sua escolha para designar o prêmio que a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – INTERCOM – outorga anualmente, com o apoio da Rede Globo, aos melhores pesquisadores da área. A entrega solene dos prêmios relativos a 2014 vai ocorrer no dia 5 de setembro, em Foz do Iguaçu, onde se realiza o XXXVII Congresso anual da entidade.
Antes disso, porém, a INTERCOM promove em São Paulo, no dia 16 de agosto, a III Jornada de Estudos Beltranianos, no Centro Cultural mantido na Rua Joaquim Antunes, 711, no bairro de Pinheiros. O evento será dedicado à literatura de cordel, tema recorrente das pesquisas de Luiz Beltrão e de seus principais discípulos.
O programa do evento paulistano focaliza dois fatos correlacionados que serão objeto das palestras de Audálio Dantas e Sônia Luyten. Audálio vai resgatar o trabalho feito na década de 90 por um dos seguidores de Luiz Beltrão, ou seja, Joseph Luyten, responsável pela pesquisa sobre os 100 anos da literatura de cordel, convertida numa exposição realizada com grande frequência no SESC Pompeia. Por sua vez, Sônia, a viúva de Joseph Luyten, vai relembrar as andanças do casal pela Universidade de Poitiers, onde foi preservada a maior coleção mundial de cordel, resultante das pesquisas feitas no Brasil por Raymond Cantel, cujo centenário de nascimento ocorre neste ano de 2012.
São vários fatos interligados, típicos da narrativa dos folhetos de cordel, aos quais voltarei proximamente.
Jornalista, professor universitário, pesquisador científico, consultor acadêmico, autor de diversos livros, foi docente da ECA-USP e é atualmente o titular da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo (www.marquesdemelo.pro.br).
Festejado pelas novas gerações, o professor nordestino inspirou-se na concepção gramsciana de folclore cultivada pelo baiano Édison Carneiro, estudando o processo de aculturação das populações marginalizadas, procedentes da zona rural; fenômeno por ele rotulado como folkcomunicação.
Do Recife, onde fez suas primeiras observações sobre o ex-voto como veículo jornalístico, migrou para Brasília, desvendando a complexidade das expressões informativas e opinativas dos “candangos” (habitantes dos cinturões de miséria que se multiplicaram ao redor da capital federal). Este foi o objeto da sua tese de doutorado, defendida na Universidade de Brasília, em 1967, cuja segunda edição acaba de ser lançada pela Editora da PUC de Porto Alegre.
Luiz Beltrão ganhou notoriedade por ter sido o primeiro doutor em ciências da comunicação do país, o que justificou a sua escolha para designar o prêmio que a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – INTERCOM – outorga anualmente, com o apoio da Rede Globo, aos melhores pesquisadores da área. A entrega solene dos prêmios relativos a 2014 vai ocorrer no dia 5 de setembro, em Foz do Iguaçu, onde se realiza o XXXVII Congresso anual da entidade.
Antes disso, porém, a INTERCOM promove em São Paulo, no dia 16 de agosto, a III Jornada de Estudos Beltranianos, no Centro Cultural mantido na Rua Joaquim Antunes, 711, no bairro de Pinheiros. O evento será dedicado à literatura de cordel, tema recorrente das pesquisas de Luiz Beltrão e de seus principais discípulos.
O programa do evento paulistano focaliza dois fatos correlacionados que serão objeto das palestras de Audálio Dantas e Sônia Luyten. Audálio vai resgatar o trabalho feito na década de 90 por um dos seguidores de Luiz Beltrão, ou seja, Joseph Luyten, responsável pela pesquisa sobre os 100 anos da literatura de cordel, convertida numa exposição realizada com grande frequência no SESC Pompeia. Por sua vez, Sônia, a viúva de Joseph Luyten, vai relembrar as andanças do casal pela Universidade de Poitiers, onde foi preservada a maior coleção mundial de cordel, resultante das pesquisas feitas no Brasil por Raymond Cantel, cujo centenário de nascimento ocorre neste ano de 2012.
São vários fatos interligados, típicos da narrativa dos folhetos de cordel, aos quais voltarei proximamente.
Jornalista, professor universitário, pesquisador científico, consultor acadêmico, autor de diversos livros, foi docente da ECA-USP e é atualmente o titular da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo (www.marquesdemelo.pro.br).





