João de Moura Neto e Juan Sanchez

João de Moura Neto e Juan Sanchez

Atualizado em 08/03/2011 às 00:03, por .



João de Moura Neto, presidente do Sintel Piauí, em Teresina
O assunto "telecomunicações" é tocado de forma muito superficial. Excluindo as publicações especializadas, priorizam a questão do custo e muito superficialmente falam da qualidade do serviço.
No meu entendimento, deveria haver um aprofundamento em relação aos direitos do usuário. Nós desconhecemos nossos direitos e a forma para utilizá-los. A imprensa deveria ter uma posição mais crítica, pois o sistema de gerenciamento e acompanhamento de qualidade das empresas e da própria Anatel é muito falho. Propositadamente, elas dificultam o acesso à reclamação para não incentivar a reclamação. Em outras palavras: dá tanto trabalho fazer uma reclamação que as pessoas desistem de fazer a reclamação. E esse resultado é desastroso para o serviço, porque camufla totalmente a má-qualidade.. Se você fizer a comparação entre o número de usuários e o número de reclamações, ele é insignificante. No entanto, quando você faz uma amostragem com as pessoas, é perceptível que o serviço é de péssima qualidade e muito caro. No meu entendimento, isso se dá por conta da superficialidade com que o assunto é tratado.
Eu até considero que telecomunicações no Brasil sempre foi tratada com um privilégio, desde a época do regime militar. Mas as pessoas acabam se conformando com a péssima qualidade do serviço. Depois da privatização, as pessoas acabaram não exercendo seu direito de cobrar, já que estão pagando. A necessidade que elas têm é tanta, que mesmo tendo um serviço sendo ruim, ele é tão importante, que acaba sendo ótimo assim mesmo. É ruim com ele, pior sem ele.
A gente deveria discutir mais, conversar mais, discutir mais sobre o assunto para que as pessoas entendam como as coisas funcionam e como a gente pode contestar para mudar a qualidade das telecomunicações e para torná-las mais acessíveis, para que a gente não concorde com o que as empresas fazem, que é esconder a insatisfação.
Falar do assunto, mesmo que de forma superficial, já é bom. A gente precisa digerir, conviver com o assunto para entender que é uma necessidade das pessoas.
Juan Sanchez, diretor executivo do Sintel-RS, em Porto Alegre
Quando o tema é abordado, é sob o prisma meramente empresarial e de serviços. E quando trata da questão da prestação de serviços, o tema não é aprofundado. Somente criticam a operação dos serviço e atendimento ao usuário, em relação a serviço telefônico e celular. E não se debruçam no tema como um todo, qual a necessidade e demanda do país, um sistema que atenda homogeneamente todas as regiões. Só se detêm à crítica e ao levantamento de denúncias, mas não procuram as soluções.
E quando nós propomos soluções, eles não nos ouvem. Nós temos propostas e a imprensa não se interessa. Ela só se interessa pelos estardalhaços, falar dos serviços de CallCenter, mas não vai no âmago da questão.
Nos problemas crônicos, a imprensa não toca, porque vai atingir os próprios sustentadores da imprensa, que são as operadoras que colocam anúncio. Os jornais têm anúncio da Vivo, da Oi, da TIM... Imagine se eles começam a examinar o real motivo desses serviços serem precários. Eles vão se deparar com o fato de que são as próprias operadoras que criam isso. E aí, acabou o vínculo com o cliente...
O que pode ser elogiável é quando ela cita o motivo, ou quando cita o sindicato como mentor de denúncias, aí é que a população fica sabendo das situações mais calamitosas.
As empresas investem dinheiro onde elas querem, não atendem a população de forma homogênea. Isso a imprensa não diz. Quando ela cita que em determinadas localidades existe problemas de telecomunicações, isso é positivo. Mas não dá sequência: qual foi o motivo e qual a solução? Em alguns momentos é positivo, mas não há uma constante.
Eu gostaria de fazer o contrário, informar as pessoas. E não receber as informações que trazem, que muitas vezes são equivocadas. São pessoas alheias ao assunto que opinam ou simplesmente relatam.