Jihadistas divulgam vídeo com execução de jornalista americano; Casa Branca investiga

Grupo ameaça executar outro jornalista caso Obama não cancele os ataques contra o EI

Atualizado em 20/08/2014 às 09:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Na última terça-feira (19/8), o Estado Islâmico (EI) divulgou um vídeo que mostra a morte do jornalista americano James Wright Foley, de 39 anos. O ato ocorreu em represália aos ataques aéreos dos Estados Unidos contra forças jihadistas no norte do Iraque.
Crédito:Reprodução Jornalista foi sequestrado pelo grupo sírio desde 2012
De acordo com a AFP, o repórter, experiente na cobertura de guerra, foi sequestrado em novembro passado na Síria. Ele prestava serviços para o site Global Post e já trabalhou na agência de notícias.
A gravação intitulada "Mensagem aos Estados Unidos" mostra um homem de capuz negro que parece cortar a garganta do jornalista, vestido com uniforme laranja. Ele fala em inglês britânico e realiza a execução no deserto, mas não é possível saber se ocorre no Iraque ou na Síria.
"Qualquer agressão contra o Estado Islâmico é uma agressão contra os muçulmanos, de todos os tipos, que aceitaram o califado islâmico e sua liderança", diz. O jornalista chega a se despedir de sua família e acusa o governo dos Estados Unidos de ser o culpado de sua execução em decorrência da recente intervenção no Iraque.
Os jihadistas mostram ainda imagens de outro jornalista americano, identificado como Steven Sotloff, que será executado caso o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não cancele os ataques contra o EI. "A vida deste cidadão americano, Obama, depende de sua próxima decisão", declarou o homem mascarado.
Repercussão
A mãe do jornalista, Diane, solicitou em sua página do Facebook a libertação dos demais reféns das mãos dos jihadistas na Síria. "Nunca estivemos mais orgulhosos de nosso filho Jim. Deu sua vida tentando mostrar ao mundo o sofrimento do povo sírio. Imploramos aos sequestradores que perdoem a vida do resto de reféns. Como Jim, são inocentes e não têm controle sobre a política do governo americano no Iraque, na Síria, nem em nenhum lugar do mundo", escreveu ela.
A Casa Branca disse estar "horrorizada" pela suposta decapitação de Foley e assegurou que os serviços de Inteligência trabalham para confirmar a autenticidade do registro. "Expressamos nossas sinceras condolências a sua família e amigos", acrescentou a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Caitlin Hayden.
O diretor-presidente da AFP, Emmanuel Hoog, se disse "horrorizado com a difusão do vídeo" e com a "afirmação de que James Foley foi assassinado". "Seu trabalho para a AFP e para outras organizações de mídia era amplamente admirado. Nada poderia justificar seu sequestro ou qualquer ameaça contra sua vida. Nossos pensamentos estão com sua família neste difícil momento", finalizou.
O presidente e fundador do Global Post, Philip Balboni, declarou que, em nome de John e Diane Foley, agradece todas as mensagens de simpatia e apoio enviadas desde a divulgação do crime. "Fomos informados de que o FBI está avaliando o vídeo publicado pelo Estado Islâmico para determinar se é autêntico. Até que tenhamos esta definição, não vamos fazer mais comentários. Apenas pedimos que rezem por Jim e sua família", afirmou.
De acordo com testemunhas, o jornalista foi capturado no dia 22 de novembro de 2012 na província de Idlib, localizada no norte do país. Os EUA, que retiraram suas tropas do Iraque em dezembro de 2011, realizam desde 8 de agosto ataques aéreos contra posições do EI no Iraque.
Assista ao vídeo:

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