Jamil e uma reportagens, por Rodrigo Viana
Ele já acompanhou dois papas em viagens pelas Américas. Também percorreu a África com o secretário-geral da ONU. No ano passado, foi um dos
Atualizado em 11/06/2015 às 14:06, por
Rodrigo Viana.
Crédito:Leo Garbin pesquisadores da Comissão da Verdade que investigou os crimes da ditadura militar no Brasil. Tem três livros publicados, sendo um deles – “O Mundo Não é Plano – A Tragédia Silenciosa de 1 bilhão de Pessoas” – finalista do prêmio “Jabuti”.
Há quinze anos, correspondente de O Estado de S. Paulo (Estadão) em Genebra, na Suíça, o paulistano Jamil Chade talvez tenha feito, no mês passado, seu texto mais importante. Com uma série de documentos comprovou, em reportagem especial, que a seleção brasileira de futebol tem dono. O contrato celebrado ainda na gestão de Ricardo Teixeira como presidente da CBF concede às empresas organizadoras de amistosos da seleção poderes sobre a convocação.
Numa tacada só, Jamil recuperou o bom e velho jornalismo investigativo com uma pitada de new journalism. A narrativa descritiva das cenas de sua investigação remete ao estilo criado por Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote nos Estados Unidos da década de 1960.
Há muito ouço falar de que não há mais espaço para este tipo de jornalismo, também dito literário, aqui no Brasil. Ainda mais no esporte, lugar que se vende paixão. Jamil provou o contrário. Não o conheço pessoalmente, sou amigo de Facebook. Nestes tempos virtuais, descobri que ele já viu meu livro, que é fã de carteirinha do Juca Kfouri, do Antero Greco, do Alberto Dines e de outros cronistas esportivos que também são referência para mim. Logo, fiz mesmo amizade com o sujeito e resolvi tirar mais dois dedos dessa prosa.
Ouçam Jamil: “Estamos descobrindo que a seleção foi privatizada e que nossas emoções foram sequestradas por um grupo de empresários que se apresentam como dirigentes esportivos.” A fala parece mansa, mesmo eu o lendo pelo Facebook. Jamil, um otimista, me deixou reflexivo ao final de nossa conversa: “Não podemos dizer que vamos abrir mão da seleção.
O que temos é de reconquistá-la para que ela seja de novo pública. E isso envolve abrir mão de facilidades para entrevistar Neymar, Dunga ou ter acesso privilegiado na seleção, em troca de um silêncio incômodo sobre o que, de fato, ocorre no futebol nacional.” Fechei o computador com um oce sabor de esperança.

Há quinze anos, correspondente de O Estado de S. Paulo (Estadão) em Genebra, na Suíça, o paulistano Jamil Chade talvez tenha feito, no mês passado, seu texto mais importante. Com uma série de documentos comprovou, em reportagem especial, que a seleção brasileira de futebol tem dono. O contrato celebrado ainda na gestão de Ricardo Teixeira como presidente da CBF concede às empresas organizadoras de amistosos da seleção poderes sobre a convocação.
Numa tacada só, Jamil recuperou o bom e velho jornalismo investigativo com uma pitada de new journalism. A narrativa descritiva das cenas de sua investigação remete ao estilo criado por Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote nos Estados Unidos da década de 1960.
Há muito ouço falar de que não há mais espaço para este tipo de jornalismo, também dito literário, aqui no Brasil. Ainda mais no esporte, lugar que se vende paixão. Jamil provou o contrário. Não o conheço pessoalmente, sou amigo de Facebook. Nestes tempos virtuais, descobri que ele já viu meu livro, que é fã de carteirinha do Juca Kfouri, do Antero Greco, do Alberto Dines e de outros cronistas esportivos que também são referência para mim. Logo, fiz mesmo amizade com o sujeito e resolvi tirar mais dois dedos dessa prosa.
Ouçam Jamil: “Estamos descobrindo que a seleção foi privatizada e que nossas emoções foram sequestradas por um grupo de empresários que se apresentam como dirigentes esportivos.” A fala parece mansa, mesmo eu o lendo pelo Facebook. Jamil, um otimista, me deixou reflexivo ao final de nossa conversa: “Não podemos dizer que vamos abrir mão da seleção.
O que temos é de reconquistá-la para que ela seja de novo pública. E isso envolve abrir mão de facilidades para entrevistar Neymar, Dunga ou ter acesso privilegiado na seleção, em troca de um silêncio incômodo sobre o que, de fato, ocorre no futebol nacional.” Fechei o computador com um oce sabor de esperança.






