Jabuti consagrou “narrativas produzidas sem amarras da censura”, diz Mário Magalhães
O jornalista Mário Magalhães, vencedor do Jabuti na categoria Biografia por seu livro "Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo", disse à IMPRENSA que houve um “eloquente reconhecimento a biografias não autorizadas” nesta edição do prêmio.
Atualizado em 21/10/2013 às 18:10, por
Maurício Kanno.
do Jabuti na categoria Biografia por seu livro "Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo", disse à IMPRENSA que houve um “eloquente reconhecimento a biografias não autorizadas” nesta edição do prêmio.
Crédito:Ana Carolina Fernandes/Companhia das Letras Mário Magalhães, jornalista autor da biografia sobre o guerrilheiro Marighella
Quanto aos finalistas de sua categoria, ele especifica que, diante da polêmica sobre as biografias não autorizadas, “nem o jornalista Lira Neto pediu autorização à família de Getúlio Vargas para escrever seu livro, nem a historiadora Mary Del Priore, aos herdeiros de D. Pedro I. Nem eu, à generosa família Marighella.”
Para Magalhães, mais do que obras específicas, o Jabuti consagrou “narrativas produzidas sem amarras da censura”. Ele explica que, no atual momento, até seria possível que herdeiros dos personagens retratados vetassem a circulação das biografias em razão da legislação obscurantista em vigor.
Crédito: Audálio Dantas, que ganhou prêmios Jabuti e Juca Pato em 2013 No entanto, segundo o jornalista, os familiares têm convicção de que seus antepassados são gigantes da história do Brasil e não propriedade privada ou protagonistas de versões necessariamente chapas-brancas.
Audálio Dantas, que recebeu o Jabuti na categoria Reportagem pelo trabalho "As Duas Guerras de Vlado Herzog", considera que o prêmio é consagrado como um dos principais literários do país e que todo ano há uma expectativa muito grande sobre o resultado, até por abranger várias categorias.
Jornalistas escritores De todo modo, Magalhães diz que jornalistas sempre tiveram notável expressão como escritores no Brasil, tanto de ficção quanto de não ficção.
Ele exemplifica que o Festival de Biografias, do qual é curador, levará a Fortaleza (CE) uma grande seleção de jornalistas biógrafos: Fernando Morais, Guilherme Fiuza, Humberto Werneck, João Máximo, Josélia Aguiar, Lira Neto, Lucas Figueiredo, Luiz Fernando Vianna, Paulo Cesar de Araújo, Regina Zappa e Ruy Castro.
Crédito:Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) Marighella, quando deputado, em 1946 ou 1947 No caso de seu livro, ele ressalta que “o método empregado foi rigorosamente o mesmo de produção de qualquer reportagem”. A única mudança seria em relação à ambição jornalística. Afinal, “entrevistei 256 pessoas, tive acesso a cerca de 70 mil páginas de documentos de arquivos públicos e privados de cinco países, li 500 títulos, organizei 2.580 notas sobre fontes. Trabalhei no livro por nove anos, cinco anos e nove meses em dedicação exclusiva. Tudo para contar o épico de um revolucionário cujas pegadas certa historiografia oficial quis apagar da memória nacional.”
Dantas considera que a produção de livros por jornalistas é um fenômeno relativamente recente, até pela redução do espaço nos jornais e revistas. Assim, acha que o gênero do jornalismo literário está sendo bastante valorizado.
Ele acredita também que o jornalista entra no mercado de livros com mais impacto, citando o caso de Laurentino Gomes, que escreve sobre história do ponto de vista do repórter.
Na opinião de Dantas, a valorização do jornalista acaba sendo um fator de incentivo para que o profissional não se limite ao livro-reportagem, que seria a opção mais evidente. “O livro é o novo espaço do jornalista", destaca.
O colunista de IMPRENSA José Marques de Melo também ganhou o prêmio Jabuti, na categoria Comunicação, pelo livro "História do Jornalismo Itinerário Crítico, Mosaico Contextual". O jornalista não foi encontrado para comentar a conquista.
Crédito:Ana Carolina Fernandes/Companhia das Letras Mário Magalhães, jornalista autor da biografia sobre o guerrilheiro Marighella
Quanto aos finalistas de sua categoria, ele especifica que, diante da polêmica sobre as biografias não autorizadas, “nem o jornalista Lira Neto pediu autorização à família de Getúlio Vargas para escrever seu livro, nem a historiadora Mary Del Priore, aos herdeiros de D. Pedro I. Nem eu, à generosa família Marighella.”
Para Magalhães, mais do que obras específicas, o Jabuti consagrou “narrativas produzidas sem amarras da censura”. Ele explica que, no atual momento, até seria possível que herdeiros dos personagens retratados vetassem a circulação das biografias em razão da legislação obscurantista em vigor.
Crédito: Audálio Dantas, que ganhou prêmios Jabuti e Juca Pato em 2013 No entanto, segundo o jornalista, os familiares têm convicção de que seus antepassados são gigantes da história do Brasil e não propriedade privada ou protagonistas de versões necessariamente chapas-brancas.
Audálio Dantas, que recebeu o Jabuti na categoria Reportagem pelo trabalho "As Duas Guerras de Vlado Herzog", considera que o prêmio é consagrado como um dos principais literários do país e que todo ano há uma expectativa muito grande sobre o resultado, até por abranger várias categorias.
Jornalistas escritores De todo modo, Magalhães diz que jornalistas sempre tiveram notável expressão como escritores no Brasil, tanto de ficção quanto de não ficção.
Ele exemplifica que o Festival de Biografias, do qual é curador, levará a Fortaleza (CE) uma grande seleção de jornalistas biógrafos: Fernando Morais, Guilherme Fiuza, Humberto Werneck, João Máximo, Josélia Aguiar, Lira Neto, Lucas Figueiredo, Luiz Fernando Vianna, Paulo Cesar de Araújo, Regina Zappa e Ruy Castro.
Crédito:Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) Marighella, quando deputado, em 1946 ou 1947 No caso de seu livro, ele ressalta que “o método empregado foi rigorosamente o mesmo de produção de qualquer reportagem”. A única mudança seria em relação à ambição jornalística. Afinal, “entrevistei 256 pessoas, tive acesso a cerca de 70 mil páginas de documentos de arquivos públicos e privados de cinco países, li 500 títulos, organizei 2.580 notas sobre fontes. Trabalhei no livro por nove anos, cinco anos e nove meses em dedicação exclusiva. Tudo para contar o épico de um revolucionário cujas pegadas certa historiografia oficial quis apagar da memória nacional.”
Dantas considera que a produção de livros por jornalistas é um fenômeno relativamente recente, até pela redução do espaço nos jornais e revistas. Assim, acha que o gênero do jornalismo literário está sendo bastante valorizado.
Ele acredita também que o jornalista entra no mercado de livros com mais impacto, citando o caso de Laurentino Gomes, que escreve sobre história do ponto de vista do repórter.
Na opinião de Dantas, a valorização do jornalista acaba sendo um fator de incentivo para que o profissional não se limite ao livro-reportagem, que seria a opção mais evidente. “O livro é o novo espaço do jornalista", destaca.
O colunista de IMPRENSA José Marques de Melo também ganhou o prêmio Jabuti, na categoria Comunicação, pelo livro "História do Jornalismo Itinerário Crítico, Mosaico Contextual". O jornalista não foi encontrado para comentar a conquista.





