"Já recebi ameaças por telefone e cartas, mas nunca tiros em casa", diz repórter policial

Em 30 anos de carreira como repórter policial, a jornalista Fátima Souza fez inúmeras denúncias envolvendo o crime organizado, grupos de extermínio, corrupção na polícia e outras tantas pautas.

Atualizado em 17/01/2014 às 17:01, por Jéssica Oliveira.

Infelizmente, tão numerosas quanto suas reportagens, são as ameaças sofridas por ela.

Crédito:Arquivo pessoal Jornalista não pensa em mudar a rotina após sua casa ser alvejada por tiros
"Já recebi diversas por telefone e cartas, anônimas e até abertas, do cara falar 'sou fulano de tal e se você não parar de falar disso vou te matar', mas nunca tiros na minha casa", compara, sobre os disparos em sua residência no início do ano. A informação foi divulgada na última quinta-feira (16/01) por ela no Facebook.

Fátima ficou em dúvida em tornar ou não o episódio público. "Mas conversei com algumas pessoas da área, colegas de profissão, especialistas, promotores, delegados, e acharam melhor divulgar do que esconder. Pode ser que intimide quem disparou os tiros", disse à IMPRENSA. "Pelo tipo de cobertura que faço, se isso foi ameça, o difícil é saber se é por uma matéria recente ou antiga, de alguém que esperou", comenta.
Na madrugada do dia 3 de janeiro, por volta das três horas da manhã, ela acordou com barulho de vidros quebrados. "Deram uns tiros em casa... ai ai ai... [...] Comecei bem o ano! he he he... Estou avisando aos amigos caso algo aconteça. [...] Mas estou legal. Sei que não adianta entrar em neura e pane", escreveu.

Os tiros foram na lateral de sua casa, em direção à janela onde fica seu escritório, local onde trabalha constantemente. Em razão disso, a polícia trabalha com duas possibilidades: um aviso ou algum vizinho que more perto e tenha disparado aleatoriamente a arma, embora atingindo sua residência.

Crédito:Reprodução/Facebook Tiro quebrou vidraça da casa
A jornalista registrou boletim de ocorrência no 93º DP, no Jaguaré, zona oeste de São Paulo. O delegado e o chefe dos policiais estiveram em sua casa no mesmo dia. Segundo Fátima, a perícia determinou que os tiros foram disparados por uma pistola e em linha reta, o que diminui a tese de tiros aleatórios. Entretanto, ela ainda aguarda o laudo completo que não tem previsão para ficar pronto.
"Eu procuro não entrar numa neura ou exageros. A gente é jornalista e o risco faz parte da nossa profissão, da nossa escolha. Eu não sou rica, não dirijo e, se dirigisse, não teria dinheiro para andar de blindado. Mas acho loucura viver assim, você vira escravo e entra numa neurose danada", diz.
Ela conta que a última ameaça recebida data de aproximadamente oito meses, época em que diversos policiais morreram em SP. "A gente [Record] conseguiu um PM que dizia ser de um grupo de policiais que dava o troco. Logo depois que a matéria foi ao ar recebi um telefonema em que pediram para eu tomar cuidado com o que mexia, não dizer certas coisas etc.".
A profissional tem férias marcadas esse mês e deve descansar no período, como programado. Ao voltar, ela já decidiu que não vai mudar sua rotina. "Mediante uma coisa dessas você fica impotente. Estou esperando a polícia e a perícia responder se foi um maluco que comprou a arma e resolveu testar ou foi uma ameaça. Independentemente do que aconteça, não vou desistir da minha profissão. Assim que eu voltar de férias vão ter mais duas matérias de grande repercussão", conclui.