"Já fiz entrevista até por carta. O que vale é buscar fontes originais", diz Vandeck Santiago

O jornal em questão é o mais antigo em circulação na América Latina: Diário de Pernambuco. E o jornalista é Vandeck Santiago, repórter especial do jornal e um dos mais premiados do Brasil.

Atualizado em 04/10/2011 às 17:10, por Luiz Gustavo Pacete e  enviado a Recife (PE).

o mais antigo em circulação na América Latina: Diário de Pernambuco. E o jornalista é Vandeck Santiago, repórter especial do jornal e um dos mais premiados do Brasil.
Nascido em Recife, Santiago começou a carreira em 1985, no Diário de Pernambuco . Passou pelas sucursais de Veja , Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil. Redações onde ele conseguiu adquirir um novo olhar sobre o jornalismo local.
Luiz Gustavo Pacete

Santiago leva em seu currículo 11 premiações, entre elas Esso e Embratel. Seus especiais já viraram livros, como "Josué de Castro - o gênio silenciado" e "Francisco Julião e as Ligas Camponesas". Hoje, sua missão é buscar "grandes pautas", que consigam ser locais, mas não provincianas.


À IMPRENSA, Santiago fala sobre o que ele define como a "nova cena jornalística pernambucana" e o papel da reportagem especial.
IMPRENSA - Atuar em redações nacionais contribuiu para pensar em pautas de fôlego?
Vandeck Santiago - Como eu passei por publicações de abrangência nacional consegui desenvolver uma escrita sempre pensando no local, mas com cuidado para não ser provinciano. Não vivo em uma ilha isolada do mundo. Ainda mais hoje, um momento em que a informação ultrapassa fronteiras. Outra coisa que me ajudou foi o padrão de exigência desses veículos, que contribuiu para que, em 2001, eu voltasse com bagagem para pensar coisas maiores.
IMPRENSA - Como o Diário de Pernambuco se encorajou a investir no primeiro especial?
Santiago - Essa história começou em 2004, quando eu sugeri a publicação de um caderno especial sobre os 40 anos do Golpe Militar. Naquela época, toda a imprensa estava fazendo coisas padronizadas. O que eu fiz foi analisar a perspectiva do golpe, partindo de um movimento local que foi a liga camponesa. E acabou que esse foi o único caderno sobre o golpe que ganhou prêmio. Depois disso, o jornal começou a investir para valer nos especiais.
IMPRENSA - Qual diferencial você busca trazer à reportagem especial?
Santiago - Tento sair das fontes que falam com todo o mundo. Me desafio em buscar pessoas que dominam o assunto, independente se ela for daqui ou do Japão. Uma vez, fizemos uma matéria sobre hanseníase e o maior especialista era japonês. Consegui fazer uma entrevista com ele por telefone via tradução simultânea. Até por carta eu já fiz entrevista; isso foi em 2005. Eu estava com dificuldade de entrevistar um historiador carioca, após várias tentativas, decidi mandar uma carta. Demorou, mas eu recebi... Tenho ela até hoje.
IMPRENSA - Reportagem especial tem receita?
Santiago - Eu acho que uma reportagem especial precisa ter profundidade e fontes exclusivas. Investir em uma matéria especial não compensa se for feito de forma superficial. A nossa obrigação é toda vez trazer um fato novo e original ou trazer novas luzes sobre determinada pauta ou evento.
IMPRENSA - Qual o momento da imprensa pernambucana?
Santiago - A imprensa pernambucana vive uma nova cena. O crescimento econômico vivido pelo Estado nos últimos anos, com a destinação para cá de grandes investimentos, tipo refinaria de petróleo, transnordestina, estaleiro no Porto de Suape etc. Ou seja: a ascensão das reportagens especiais aqui coincide com a ascensão econômica do Estado. Quando falo sobre a existência, hoje, de uma "cena jornalística pernambucana", estou apenas constatando um fenômeno. Não estou sendo bairrista. Considero o bairrismo a doença infantil do pensamento regional. Se fosse me rotular diria que sou um cosmopolita com perspectiva regional.
IMPRENSA - Existe, no Brasil, uma febre pela 'grande' reportagem e pelo jornalismo investigativo. Você vê muitas distorções na maneira como tratam este tipo de jornalismo?

Santiago - Se você pegar a produção dos grandes jornais, como Folha, eles, por exemplo, não apostam em grandes reportagens, mas, por outro lado, estão próximos do poder e conseguem grandes denúncias. Se alguém tiver um escândalo, não vai procurar o Vandeck Santiago, vai procurar a Folha. Mas o que acontece em Pernambuco é que dois veículos, o Diário e o Jornal do Commercio brigam diretamente com os especiais. Logo, a produção e o número de prêmios conquistados só aumentam.

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