Israelenses protestam contra entrevistas feitas com assassino de Itzhak Rabin

Israelenses protestam contra entrevistas feitas com assassino de Itzhak Rabin

Atualizado em 31/10/2008 às 14:10, por Redação Portal IMPRENSA.

O anúncio de dois canais de TV de Israel de que transmitiriam, na noite desta sexta-feira (31), duas entrevistas com Igal Amir, preso por assassinar, em 4 de novembro de 1995, o ex-primeiro-ministro Itzhak Rabin, causou uma onda de indignação e protestos no país.

Condenado a prisão perpétua por atirar e matar Rabin - que assinou, em 1993, o Acordo de Paz de Oslo com o líder palestino Yasser Arafat - Amir falou com jornalistas dos canais 2 e 10 através de um telefone público da prisão.

Com os protestos, o canal 2 decidiu cancelar a transmissão, e o canal 10 tem recebido pressões de vários líderes políticos para suspendê-la. Para Zvulun Orlev, líder do partido nacional-religioso Mafdal, as entrevistas "quebram o isolamento que deve ser imposto ao assassino, seu castigo deve ser não só a negação da liberdade de movimento como também o isolamento da sociedade".

Divulgação
Itzhak Rabin
Segundo a BBC, o industrial Dov Lautman, um dos mais importantes de Israel, está fazendo uma campanha para que empresários cancelem anúncios durante a transmissão, e Ehud Barak, ministro da Defesa e líder do partido trabalhista, afirmou que "Igal Amir deve apodrecer na prisão até o último de seus dias e não se pode, de maneira nenhuma, permitir que ele participe do diálogo público".

O jornalista Raviv Druker explicou que o canal 10 considera importante "que o público saiba quais foram as motivações de Amir e quem o ajudou a cometer o assassinato". Em trechos da entrevista divulgados para promovê-la, o assassino diz que foi influenciado pelos "maiores especialistas em segurança do país". "(Ariel) Sharon e Raful (o ex-chefe do Estado Maior, Rafael Eitan) disseram que esse acordo (o acordo de Oslo) levaria a uma tragédia", disse Amir.

Ele conta que discordava do processo de paz, mas ficou em dúvida se seria mais eficaz assassinar Itzhak Rabin ou o então ministro das Relações Exteriores e atual presidente de Israel, Shimon Peres. Decidiu-se por Rabin pois ele "tinha legitimidade para fazer tudo e entregar tudo (os territórios ocupados), e depois que Rabin se foi, Peres não pôde fazer nada".

A entrevista acarretará em punição para Amir; segundo os Serviços Penitenciários, ele não poderá mais usar o telefone e deverá perder o direito a visitas de familiares, além de ser transferido para outra prisão.

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