Investigação colaborativa identifica 53 bilhões de dólares desviados na Venezuela

Runrunes, El Pitazo, Tal Cual e outras agências de jornalismo investigativo da Venezuela que integram a Alianza Rebelde Investiga (ARI) lançaram esta semana o Corruptómetro.

Atualizado em 09/08/2022 às 15:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Trata-se de plataforma interativa que visa identificar a economia do crime no país e suas ramificações internacionais.

Antes do Corruptómetro, os integrantes da ARI lançaram, em setembro de 2021, em parceria com a Transparencia Venezuela e a Connectas, a investigação colaborativa Chavismo INC, que revelou detalhes de uma rede de negócios irregulares que abrange dez países e teria o governo venezuelano como centro de suas operações.
Já o Corruptómetro tem com base processos judiciais iniciados por órgãos como Ministério Público, Controladoria-Geral da República, Assembleia Nacional, tribunais e organismos dedicados à supervisão da gestão de recursos bancários, aduaneiros e de fundos públicos.
A nova ferramenta busca identificar nomes de envolvidos em grandes esquemas de corrupção, incluindo Nervis Villalobos, Javier Alvarado Ochoa, Claudia Patricia Díaz Guillén, Hugo Carvajal, Eugenia Sader e o empresário do petróleo Rafael Ramírez. Crédito: Reprodução Funcionando como um banco de dados dos casos de corrupção na Venezuela, o Corruptómetro apresenta os maiores esquemas de desvios de dinheiro público do país, revelando padrões e valores envolvidos. Além disso, mostra os crimes de corrupção mais frequentes e identifica os setores econômicos mais afetados pela corrupção na Venezuela, especialmente petróleo, saúde, finanças, segurança e alimentação.
Fundos estatais

De 236 casos de corrupção investigados, a plataforma informa em 144 deles, ou 41% do total, o valor em dólares dos recursos desviados. Desta forma, o projeto conseguiu identificar, entre 1999 e 2020, o desvio total de 53 bilhões de dólares.
O setor econômico com maior movimentação de dinheiro irregular foi o petrolífero, concentrando 42 bilhões de dólares do total desviado no período. A maioria dos atos irregulares é atribuída à Petróleos de Venezuela (PDVSA) e suas afiliadas.
O Corruptómetro também alerta para a seletividade da Justiça venezuelana, indicando que ela privilegia a investigação de casos menores de corrupção e silencia ante a "grande corrupção".
Para conhecer o Corruptómetro clique .