Intervozes entra com representação para tirar "Agora é Tarde" do ar após polêmica de Frota

Segundo o grupo, a emissora banalizou e incentivou o crime de estupro ao exibir uma entrevista com Alexandre Frota.

Atualizado em 04/03/2015 às 18:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Nesta quarta-feira (4/3), a organização Intervozes anunciou ter encaminhado ao Ministério das Comunicações uma representação contra a TV Bandeirantes e o talk show "Agora é Tarde", apresentado por Rafinha Bastos. O coletivo acusa a emissora de banalizar e incentivar o crime de estupro durante entrevista com o ator Alexandre Frota.
Crédito:Reprodução Ator se defendeu dizendo que história é inventada
No programa em questão, o ator contou uma história - em tom de gozação - sobre uma relação sexual com uma mãe de santo. Frota diz que a suposta vítima do estupro teria até desmaiado durante o ato. Entre encenações e gargalhadas de Rafinha Bastos, o apresentador ainda pede uma salva de palmas "para essa história maravilhosa". A plateia também ri e aplaude o entrevistado.
A entrevista foi ao ar pela primeira vez em 22 de maio de 2014, mas foi reprisada no último dia 25 de fevereiro e virou polêmica nas redes sociais. Ao portal iG, Frota disse que a história é fictícia e faz parte de um show de stand-up que ele apresenta. "É uma história contada em forma de piada, com humor. Não vou me desculpar de nada porque nada fiz de errado. Temos liberdade de criar e roteirizar, e é isso. Repeito as mulheres, sou muito bem casado e essa onda é falta do que fazer”, disse o ator.
Segundo o Intervozes, a Band infringe o Código Brasileiro de Telecomunicações, a Constituição Federal e uma série de leis que proíbem o incentivo ao crime, o preconceito racial e religioso e o desrespeito à dignidade da mulher, "O episódio em questão não é violento apenas para a mulher vitimada diretamente na história, mas para todas as mulheres. E não há dúvidas sobre o impacto que conteúdos como este podem ter na naturalização, legitimação e perpetuação da violência contra a mulher em nosso país", diz o coletivo.
"É impressionante que, num país onde uma mulher é estuprada a cada 12 segundos, seja considerado possível rir de fatos como este. Mais impressionante ainda que uma concessionária de serviço público continue autorizada a levar ao ar cenas lamentáveis e criminosas como esta", continua a organização, lembrando que a Band já foi punida pelo Ministério das Comunicações em 2013 por expor um jovem suspeito de estupro.
"Esperamos que, desta vez, a punição aplicada pelo órgão seja efetiva a ponto de impedir que violências como esta continuem sendo praticadas – em nome do lucro e a despeito de suas brutais consequências – por uma concessionária do serviço público de radiodifusão", conclui a nota.

Procurada por IMPRENSA, a Band não comentou o assunto.
Assista a entrevista: