Intervenção do governo equatoriano em jornal foi um “atropelo à liberdade”, protesta SIP
Sociedade Interamericana de Imprensa protestou contra o fechamento do jornal equatoriano, que encerrou suas atividades nesta semana.
Atualizado em 29/08/2014 às 15:08, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Reprodução Entidade critica falta de liberdade de imprensa no Equador
Nesta semana, Hoy encerrou suas atividades por decisão da Superintendência de Empresas – instituição responsável pelas empresas comerciais na região – devido a encargos financeiros. O diário já havia deixado de circular desde 30 de junho.
No documento, a SIP afirma que representantes do órgão estatal visitaram a Edimpress – responsável pela impressão e pelos conteúdos do diário na última quarta-feira (27/8). Entretanto, o advogado da empresa, Diego Ordóñez, disse à imprensa local que os oficiais chegaram sem notificação prévia para proceder com a “liquidação forçada de bens”. Em solidariedade, o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP reiterou o apoio da entidade ao diário.
“Observamos com tristeza a paralização das atividades do Hoy . Se silencia outra voz no Equador e se segue atropelando o direito do público de gozar de pluralismo informativo e ter acesso a diferentes correntes de opinião”, falou Claudio Paolillo.
A Superintendência de Empresas determinou a paralisação imediata dos negócios da companhia, incluindo edições impressas, web e qualquer outro meio, tendo que se dedicar exclusivamente à arrecadação e ao pagamento das dívidas.
A Edimpres figura numa lista da Superintendência ao lado de mais de 700 empresas que sofreram dissolução no país. Para suportar a crise, o jornal havia iniciado um processo de liquidação voluntária, devido à perda de, pelo menos, metade do valor de seus ativos por dois anos.
De acordo com a legislação equatoriana, não é necessário suspender as operações durante o processo de liquidação, uma vez que é possível superar a crise financeira e voltar a funcionar normalmente.
Paolillo, que também atua como diretor do semanário uruguaio Búsqueda, alertou que a perda de espaço da liberdade de imprensa tem consequências negativas nas instituições democráticas. O executivo citou o um segmento do preâmbulo da Declaração de Chapultepec – carta de princípios que estabelece a imprensa livre, assinada diante de acordos internacionais :
"Sabemos que nem todos os expressão e de informação podem ser acolhidas em todos os meios de comunicação. Sabemos que a existência de uma imprensa livre não garante automaticamente a prática irrestrita da liberdade de expressão. Mas também sabemos que constitui a melhor chance de alcançá-la e, com isso, desfrutar de outras liberdades públicas", diz um dos trechos do documento.
O jornal Hoy era dirigido pelo ex-presidente da SIP entre 2012 e 2013, James Mantilla. No último dia 29 de junho, o diário anunciou que havia começado a se dedicar exclusivamente a versão digital. Na época, Mantilla assinalou que a decisão teve origem no permanente boicote publicitário ao periódico, como o cancelamento de contratos de impressão, entre outras limitações financeiras.
Na última quarta-feira (28/8), o El Telégrafo revelou que o jornal equatoriano registrou perdas de US$ 4,2 milhões diante do capital de US$ 4,6 milhões no ano de 2013. Uma equipe designada pela instituição estatal visitou o Hoy upara fazer o inventário dos bens e teria ordenado que centenas de funcionários suspendessem os trabalhos. Os redatores deixaram o local e o site do jornal não foi mais atualizado. A última notícia de destaque no portal foi uma entrevista com o prefeito de Quito.





