Internet móvel definirá nova forma de atuação dos jornais, diz especialista

Internet móvel definirá nova forma de atuação dos jornais, diz especialista

Atualizado em 10/09/2010 às 10:09, por Redação Portal IMPRENSA.

O suíço Moritz Wuttke, especialista em novas mídias, declarou que o aumento do acesso à internet por meio de aparelhos móveis, como celulares e tablets, abriria uma nova forma de atuação para a imprensa e para a publicidade. A análise do especialista, fundador do grupo NextMedia, é baseada em uma projeção feita pelo banco JPMorgan, que revelou que em 2014 mais internautas acessarão a web por esses aparelhos, em detrimento dos computadores pessoais.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo , Wuttke afirmou que o jornalismo e a publicidade poderão aumentar seu faturamento se conseguirem se adaptar a essa nova realidade. A declaração foi feita durante um congresso realizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), no Rio de Janeiro, há duas semanas.

Segundo o analista, as pessoas estariam dispostas a "pagar pelo conforto de receber informação customizada para suas necessidades", e considerou como fatores determinantes o tempo em que a notícia fica disponível e a exclusividade do assunto.

O fundador da NextMedia informou que o tempo gasto pelos internautas em suas redes sociais na web poderá ultrapassar o usado para acessar sites como Google e Yahoo!.

Além disso, o suíço citou a repercussão dos assuntos comentados nas redes sociais, como Facebook e Twitter, e a maneira como a imprensa deve lidar com a divulgação das notícias pelos internautas e, até mesmo, com as críticas que eventualmente recebe: "Pode significar a diferença entre um artigo que teve pouca leitura e outro que foi lido milhares de vezes", disse Wuttke.

O analista comentou sobre a tendência de empresas de mídia de receberem menos pela venda de espaço publicitário em seus portais de notícias que em sua versão impressa, e, ainda, sobre o pagamento de direitos autorais dos criadores de conteúdo publicado por agregadores de informações, como o Google News. O especialista defende a tese de que essas plataformas entrem em acordo com os jornais para dividir parte da receita gerada pelos acessos aos sites.

Wuttke falou, ainda, sobre a queda de circulação dos jornais tradicionais nos EUA e na Europa, e que as novas publicações deverão ser criadas a partir da elaboração de conteúdos adaptados aos hábitos dos jovens. "Têm que ser produtos adaptados em conteúdo, hábitos de consumo e capacidade de pagamento, porque os jovens não estão habituados a pagar. Mas todos circulam em transporte coletivo, para trabalhar, para estudar, e gostam de ler nesse tempo", afirmou.

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