Internautas de IMPRENSA e a obrigatoriedade ou não diploma de Jornalismo

Internautas de IMPRENSA e a obrigatoriedade ou não diploma de Jornalismo

Atualizado em 01/04/2009 às 14:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Nesta quarta-feira (01/04), o Superior Tribunal Federal (STF) vota a obrigatoriedade ou não do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Além disso, o Tribunal vota, ainda, a Lei de Imprensa brasileira.

O Portal IMPRENSA pediu que a seus internautas que emitissem suas opiniões, seja por Fórum nas matérias ou por e-mail, sobre a necessidade ou não do diploma e o motivo. Veja, abaixo, mais sobre a opinião dos leitores e não deixe de participar.


"Para se formar cidadãos éticos, ponderados e capacitados, devemos estar preparados para isso. Para se formar um jornalista, além das aptidões que a profissão exige, é evidente que precisamos de orientação de escrita, de ética, de toda técnica que precisamos para exercer a profissão com a imparcialidade e o envolvimento que ela precisa, Sou a favor do diploma para colocar profissionais qualificados no mercado de trabalho e proporcionar mais segurança e credibilidade para a sociedade."
Andrea Dinardi, estudante de Jornalismo

"Notícia mata. Não pode existir profissão com responsabilidade e ética se não for reconhecida e não tiver um conselho. Jornalista não é artista, ele precisa de estudo pra informar."
Claudia Vidal - Jornalista (CE)


"Na Bahia, o diploma de Jornalismo não recebe o tratamento que merece. Profissionais graduados em áreas similares (RP) querem assumir a função de um jornalista. Nas TVs, os profissionais mal terminaram o ensino médio. É uma vergonha. É o Sindicato daqui nada faz. O diploma é legal e consegue aferir melhor o grau de qualidade do profissional. É preciso uma formação acadêmica para exercer sim a profissão de Jornalismo. É um retrocesso nós acreditarmos que basta fazer Sociologia para encarar uma redação. É preciso técnica. Cada vez mais os profissionais do mercado mundial primam por aprender técnicas de Jornalismo, as redações se empenham por isso também. Eu defendo o diploma. Devemos mapear nosso espaço. Somos trabalhadores, pagamos impostos e queremos igualdade de um profissional liberal. O diploma não faz parte da ditadura com muitos ideólogos pretendem pregar, por ter amigos, parentes e outros que dizem saber escrever de acordo com o partido. Se o diploma for extinto, será eliminado o contato com professores que passaram pelas redações, fizeram a memória do Jornalismo Brasileiro. Acorda Brasil. O diploma é tão necessário para o médico quanto para o Jornalista!"
Suzana Guedes, Jornalista (BA)

"Sou jornalista, formada pela PUC de Campinas em 1990, ou seja, diplomada. Trabalho na área há muitos anos e *não concordo com a obrigatoriedade do diploma*. O que não significa ser a favor do fim do diploma ou do fechamento dos cursos de jornalismo.
Conheço ótimos profissionais que não têm diploma, alguns com formação em outras áreas e outros com o curso de jornalismo incompleto, e que fazem um trabalho de excelente qualidade, que atuam com competência, responsabilidade, ética e dedicação, garantindo um alto nível do jornalismo. Da mesma forma conheço vários profissionais que são formados em jornalismo e que não se mostram comprometidos com a profissão da mesma forma, portanto, o diploma não faz diferença na minha opinião. Além disso, a obrigatoriedade do diploma ajuda a rebaixar salários nas redações que aproveitam o grande contingente de recém-formados nas universidades que se multiplicam a cada ano.

Entendo que as pessoas que fizeram o curso se sintam prejudicadas, principalmente aquelas que pagaram pelo curso, como eu, mas não acho que isso seja um argumento válido para que se obrigue a todos que passem pelo mesmo processo.

Como disse no começo da mensagem, não sou contra o diploma em si. Acredito que nem todos estejam preparados para ser bons jornalistas, ou mesmo jornalistas medianos, sem fazerem o curso. Eu mesma aprendi bastante fazendo o curso, mas considero que não se pode deixar de valorizar aqueles que têm um talento acima da média, desobrigando-os de terem o título para atuar na área.

Quanto à reserva de mercado, que muitos usam como argumento para defender a obrigatoriedade do diploma, o que penso é que os bons profissionais, sempre encontrarão trabalho. Irão perder o lugar aqueles que não forem bons, que não se esforçarem, e com isso, ganha o jornalismo de boa qualidade, e o público."
Simone Pallone de Figueiredo

"Com a exigência do diploma já nos deparamos com situações sem profissionalismo, sem ética e sem compromisso com a verdade na imprensa brasileira. Deixar de exigir e cair num buraco sem fundo. Não teremos critérios para receber informações, elas virão de todos os lugares e de todas as formas. Por mais intelectual que seja, a profissão de jornalista tem técnicas, tem regras a serem seguidas.Diploma é a forma de darmos qualidade na nossa imprensa, na nossa comunicação. O que não tira de ninguém o direito de se expressar!"
Maria Paula Feichas
Jornalista - MTb MG 09756 JP

"Sou Alexandra Martins, estudante de jornalismo do Uniceub, Brasília. Envio meus argumentos sobre a obrigatoriedade do diploma do curso de jornalismo.

Antes de tudo é importante resaltar que não sou contra o jornalismo, nem o jornalista, muito menos do livre exercício de comunicação. Há um senso comum de se imaginar que pessoas que se coloquem contra a obrigatoriedade do diploma seriam contra os jornalismo ou favor da censura.

Não é assim que acontece! Sou contra a obrigatoriedade de um curso de jornalismo diante do contexto atual que nossa classe enfrenta: estudantes que saem da universidade com uma formação ruim e profissionais que não tem seus direitos trabalhistas respeitados.
Acho fraco o argumento daquelas pessoas que se utilizam da comparação com outras profissões para defenderem o diploma de jornalismo. Mesmo que o tema em questão seja "obrigatoriedade do diploma", não é possível comparar profissões porque elas apresentam estruturas e históricos diferentes. Faculdades de Medicina e Direito tem notas "A" e "B" no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), os cursos de Comunicação tiram em média "C" e "D". Médicos e advogados tiram férias, tem FGTS e possuem uma classe trabalhadora forte. Muito o contrário acontece na profissão de jornalismo.
Discutir a obrigatoriedade ou não do diploma é importante? Com certeza! Mas qualquer que seja a decisão do STF sobre o diploma de jornalismo, não vai dar em nada se outras questões mais latentes não estejam colocadas em pauta. No final vai ser muito barulho e pouca, ou nenhuma ação."
Alexandra Martins, Brasília (DF)

"Fico irritado quando grandes meios de comunicação, como a Folha, afirmam que a obrigatoriedade deveria ser extinta. Cara, como pode?... O que eles querem é jogar o jornalismo no buraco; lutam para deixar a atuação de comunicador em segundo plano, como um simples hobby, em que não exista regras - como pagamento do piso. Isso é justo? Claro que não, isso tem um viés totalmente comercial. E outra, o mundo anda tão globalizado, com novas profissões surgindo a todo mundo. Agora pergunto, por que acabar com uma ocupação tão importante como o jornalismo?. "Porque há milhares de pessoas que podem escrever sobre diversos assuntos", os donos dos meios dirão. Mas, como um advogado, com pouco conhecimento em imprensa, por exemplo, pode escrever para o grande público, se vive num mundo lotado de termos técnicos? Por que um médico vai mandar bem num texto sobre saúde, sendo que muitos doutores nem sabem se comunicar - sem falar da frieza - com o próprio paciente? Acredito que a formação de jornalista fornece as bases para o profissional se comunicar com a população; dá os procedimentos de uma boa apuração; dicas sobre estilos de textos e abordagem; e, além de tudo, proporciona a pessoa uma bela lavagem humana e cultural. Só para finalizar, acho que não são todos os focas que saem preparados para o mercado - como em outras profissões. E é por isso que existe a seleção."
Lucas Marins

"Estou fora de MINHA PATRIA AMADA BRASIL há algum tempo e reagi com sentimento quando tomei conhecimento que o SUPERIOR TRIBUNAL FEDERAL vai julgar a obrigatoriedade ou não do Diploma de Jornalismo para o exercício da profissão de JORNALISTA.

Jornalismo e uma profissão que a exemplo da Advocacia, Medicina, Engenharia, Engenharia da Computação, Professional do Ensino.. a lista é infindável - exige que o cidadão tenha a formação superior necessária para habilitar-se ao seu exercício.

Brasileiro ainda acha que pode dar jeitinho em tudo. me pergunto de que forma chegaram ao Supremo Tribunal Federal - a mais alta e honrada representação da sociedade, através do qual podemos clamar Justica quando nossos direitos são violados - com a pretensão de tomarem para si um direito que não lhes pertence.

É vergonhosa a tentativa de usurpar o legal direito daqueles que se prepararam, com sacrifício e dedicação para o exercício dessa PROFISSÃO.

Muitos acham fácil escrever e se consideram preparados para o exercício da profissão de JORNALISTA . se essas pessoas se consideram capacitadas para exercê-la , certamente não terão dificuldade para ingressar em curso Superior de Ensino onde terão a oportunidade de aprender a arte da escrita e se qualificarem para o legal exercício da profissão que tanto desejam e admiram. Se querem fazer parte dessa Comunidade Profissional, urge o conhecimento da ética e a cumplicidade com a verdade. Já não há mais espaço para o jeitinho brasileiro ou lei de Gerson.
O futuro já chegou..."
Mady Carvalho Silva

"Na minha opinião a exigência do diploma para atividades ligadas ao jornalismo é uma questão que camufla as verdadeiras intenções dos que a defendem. Na verdade tudo não passa de uma espécie de "reserva de mercado". O argumento de que o leitor tem direito a informação correta e de qualidade é falso e cheio de sofismas, pois, parte do princípio de que apenas as pessoas com diploma de jornalismo possam ser capazes de escrever com qualidade e de prover o leitor com informação adequada.

Escrever bem não depende de diploma, mas de muito estudo, de muita leitura, de muita prática, e, sem dúvida, de vocação e habilidade com as palavras. De certa forma, escrever bem é um dom de alguns. Não fica difícil perceber que nenhuma faculdade pode ser capaz de garantir essas características. Para piorar, sabemos que a qualidade das próprias faculdades é discutível, e cansamos de ver "bons profissionais diplomados" escrevendo baboseiras com erros gramaticais imperdoáveis até para alunos do ensino secundário.
Mas há outras formas de ver a questão. Por exemplo: qual seria a lógica de exigir um diploma de Belas Artes de Pablo Picasso? Ou um diploma de jornalista a José Saramago? Ou um diploma de músico a Luiz Gonzaga? Quem gosta de escrever, assim como quem gosta de pintar ou tocar, deve ter liberdade para expressar suas habilidades e deixar que o público/leitor/consumidor faça o julgamento. Se não for competente e profissional, o próprio mercado se encarregará de retirá-lo do mercado ignorando sua obra.

Concordo com a exigência do diploma para profissões técnicas e que coloquem em risco a vida das pessoas, como medicina, engenharia, e outras semelhantes. Acho que nem para advogado deveria ser exigido o diploma, pois as pessoas podem estudar as leis e adquirir capacidade argumentativa para representar alguém em juízo, mesmo sem ter passado por uma faculdade. Devemos lembrar que antigamente não havia faculdades, o conhecimento era passado pelos mestres, pelos sábios, pelos mais experientes. O conhecimento está aí para todo mundo, na vida, nas bibliotecas, na internet, enfim, na vontade de cada um em melhorar e desenvolver as suas habilidades buscando a fonte do conhecimento onde ela possa ser encontrada, seja na faculdade ou na experiência de vida ou auto-aprendizado. Ainda por cima, no jornalismo as coisas são ainda mais peculiares. Por exemplo: quem melhor do que um economista para opinar sobre economia? Quem melhor do que um músico para escrever sobre música? Quem melhor do que um médico para escrever sobre medicina? Então por que impedir que esses profissionais tenham o direito de escrever regularmente na mídia e assinar seus textos? Isso não caracterizaria atividade jornalística? Na verdade é tudo cortina de fumaça e há certa hipocrisia nessa exigência, já que todo mundo sabe que profissionais de diversas áreas escrevem diariamente para centenas de veículos assinando artigos de opinião! Nesse caso, por que impedir esses profissionais, seja qual for a formação deles, de exercer atividades jornalísticas? Uma pessoa comunicativa e carismática não pode apresentar com sucesso um programa de TV? Pode e apresenta, pois eu mesmo já tive meu próprio programa no interior de SP e nunca precisei do diploma de jornalista para fazer um bom trabalho! Ou seja, na prática todo mundo já exerce atividades de jornalista mesmo sem ser diplomado, por isso, não seria melhor deixar que o público decida quem é competente ou não?

Eu mesmo, como autodidata, exerço atividades de jornalista há anos, tenho artigos publicados em todos os principais veículos do trade turístico, fui editor de várias publicações, correspondente de um jornal europeu, tenho livros, crônicas, artigos, contos e outros escritos publicados em diversos veículos, e nunca passei por nenhuma faculdade de jornalismo. Apesar de minha vasta produção jornalística, entretanto, ainda vejo negado meu direito ao uso do nome correto da profissão que exerço de fato há mais de vinte anos. Onde está a lógica desse procedimento? Por que nunca consegui que o Sindicato dos Jornalistas de SP reconhecesse meu direito ao registro profissional? Isso não é, na verdade, uma reserva de mercado? Em nome do quê os jornalistas formados e as instituições que os representam preferem ignorar os fatos e seguir lutando por privilégios ao invés de lutar por melhores escolas, mais qualidade no ensino e melhores profissionais nas redações? Por conta dessa hipocrisia sou obrigado a usar, algumas vezes, jornalistas incompetentes e despreparados (mas com diploma) para validar vários textos que escrevo para determinadas publicações que exigem o tal do MTB! Convivo de perto com "diplomados" que mal sabem escrever o próprio nome sem errar, enquanto vejo negado meu direito de assinar como jornalista de fato!

A nossa luta deveria ser outra, bem mais difícil, mas muito menos hipócrita. A nossa luta deveria ser para melhorar a qualidade de nosso sistema educacional, principalmente o ensino fundamental e médio, e incentivar a leitura, para que possamos ter, no futuro, profissionais que consigam escrever, interpretar, analisar e comentar textos de forma adequada e correta, com diploma ou não."
Rui Carvalho, Vox Consultoria

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