Internauta recebe mensagens de "parabéns" no Whatsapp por aniversário de estupro

Ex-moderadora de uma comunidade no Facebook chamada "Humor Negro", Viviane Teves foi alvo de cyberbullying pelos ex-membros do grupo.

Atualizado em 12/02/2015 às 17:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Desde a madrugada desta quinta-feira (12/2), a administradora de mídias sociais Viviane Teves tem recebido mensagens de "parabéns" pelo aniversário do estupro que sofreu há dez anos. "Desde meia-noite eu tenho recebido mensagens no meu Whatsapp. Mais de 40. Todas me parabenizando por esta data e desejando que aconteça novamente", relatou a paulistana.
Crédito:Reprodução/Facebook Mensagens surgiram após Viviane contar sobre estupro no Facebook
Há poucos dias, a jovem a história do estupro em seu perfil no Facebook. "Eu sei que sou forte, eu sempre fui. Mas dessa vez eu não consegui. Tudo que eu tinha esquecido nestes anos que se passaram, voltaram mais fortes do que nunca. Eu relembro o rosto, eu relembro o ato, eu relembro o dia, a dor, a droga na minha bebida, a roupa rasgada, o dinheiro roubado, o carro batido", escreveu.
Depois disso, o número de seu telefone celular acabou caindo em um grupo do Whatsapp, que organizou as mensagens ofensivas. Viviane foi a criadora e moderadora de uma comunidade no Orkut chamada "Humor Negro", que mais tarde se tornou um grupo no Facebook. Após a extinção da página em 2012, a jovem diz que passou a receber ameaças de ex-membros que queriam o fórum de volta.
"Eu tinha, na época [em que a comunidade foi criada no Orkut], 16 anos e não fiz nada. À medida que tive minhas responsabilidades, abandonei tudo e decidi que era hora de focar em coisas de adulto. Trabalho, filho, relacionamentos etc.", Viviane no Facebook. Ela diz que nunca fez piadas com pessoas, mas apenas com tragédias e doenças. "Todos sabem o quanto o cyberbullying é cruel", acrescentou.
"O que acontece com o mundo? Por que as pessoas são tão cruéis? E se eu não fosse forte? E se eu não aguentasse e tentasse o suicídio? As pessoas pensam nas consequências de seus atos?", postou Viviane sobre as mensagens recebidas.

Em resposta, diversos seguidores argumentaram que ela era culpada, já que teria feito o mesmo tipo de perseguição no passado. "Primeiro que tu não tinha que divulgar teu caso; segundo que tu era administradora de uma página de humor negro; terceiro que, tendo em vista o conteúdo de suas publicações quanto àquela página, eu não acho que você deveria se importar. Você praticou xenofobia o suficiente pra ser presa como todos que te parabenizaram", escreveu um internauta.
Procurada pelo jornal O Globo , a administradora do grupo no Whatsapp que enviou as mensagens não quis falar sobre o caso. "Não falei nada de ofensivo para ela. Mas ela não faz uma página de humor negro? Então tem que aguentar", disse a garota, antes de desligar o telefone na cara do repórter.
"Se os erros do meu passado hoje talvez estejam caindo sobre mim? Talvez... mas ainda acho que nada disso justifica", declarou Viviane. A jovem hoje é coordenadora de mídias sociais do projeto de educação Eduk. Ela disse que coletou os telefones das pessoas que lhe enviaram as mensagens e que está à procura de advogados. Viviane também afirmou que pretende levar o caso à Delegacia de Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos.