Intercom Sul

Intercom Sul

Atualizado em 29/05/2008 às 15:05, por Annie Müller.

A primeira entidade de pesquisa científica em comunicação do mundo foi criada em Paris, no ano de 1977. No Brasil, O Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - nasceu em 1977, em plena transição do governo militar para o civil. O Intercom surgiu em meio aos impasses entre mídia, imprensa e objetivos políticos. O primeiro congresso que discutiu a comunicação social aconteceu em 1978, em Santos, São Paulo. Desde lá, os encontros são formados pelos trabalhos de estudantes das áreas de jornalismo, publicidade e relações públicas.

Este é o 9º ano que acontece o Intercom Sul, etapa que antecede o Intercom Nacional, onde são premiados as melhores pesquisas e propostas nas diversas área. A pequena Guarapuava, cidade do centro-oeste paranaense, recebe estudantes entre os dias 29 e 31 de maio. Esta nova edição continua a semente plantada em 78. Desde lá, foram impulsionadas as pesquisas no campo, que só crescem. Em número. E em qualidade?

O presidente do Intercom, o jornalista e professor José Marque de Melo, encerrou a abertura do com um pedido aos jovens presentes: "desenvolvam pesquisas de interesse para a sociedade. Pesquisas relevantes, que construam um mundo melhor". A sua mensagem parece responder à minha pergunta do parágrafo anterior. A qualidade dos trabalhos pode e deve ser melhor, no sentido do social, claro. Muitas pesquisas podem ser ótimas, mas servirem apenas ao pesquisador. A fala do pernambucano, jornalista há 50 anos e pesquisador há 40, tem função direta com o tema do Intercom 2008: sociedade, consumo e meio ambiente. "A ecologia precisa se tornar um sentimento nacional", afirmou José Marque. Portanto, a importância apontada pelo jornalista de se desenvolver trabalhos relevantes está ligada à sua última afirmação, que responde como sendo o meio ambiente um tema pertinente e atual.

Sim, todos já estamos entupidos de dois assuntos: caso Nardoni e ecologia. O próprio José Marque afirmou que "nos comovemos com um fato e logo o esquecemos, quando aparece uma nova pauta na agenda". Diante tal comum prática do jornalismo, o jornalista pede para fixarmos a ecologia na pauta diária. "Entendendo o passado temos consistência para intercalar com o futuro. Desconfio de quem deseja inventar o futuro, devemos é nos basear em comprovações", afirmou, referindo-se à situação presente, marcada pela discussão sobre a globalização da Amazônia, os estragos naturais, os ciclones e tremores que chegam ao Brasil. Assim, ele nos indica a agirmos de imediato sobre o problema e não nos deixarmos envolver com outras notícias até o meio ambiente cair no esquecimento.

E é verdade que foi por causa de um passado esquecido que vivemos este presente desafiador e problemático, com seu superaquecimento global, Tsunamis e ciclones extra-tropicais. Que o próximo Intercom continue, então, abordando o mesmo tempo, com novos enfoques. Afinal, a partir de um fato existem sempre muitas versões.