Ingrid Betancourt, ex-prisioneira das Farc, diz que está cansada de aparecer na mídia

Ingrid Betancourt, ex-prisioneira das Farc, diz que está cansada de aparecer na mídia

Atualizado em 11/07/2008 às 12:07, por Redação Portal IMPRENSA.

A ex-candidata à Presidência colombiana, Ingrid Betancourt, resgatada depois de passar mais de seis anos como prisioneira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse, nesta sexta-feira (11), estar "muito cansada" e que não quer mais aparecer tanto na mídia.

Desde que foi liberada, no dia dois deste mês, Ingrid tem figurado constantemente nos meios de comunicação. Após se desculpar de um atrasado de vinte minutos para uma entrevista em uma rádio francesa - que atrasou a programação da emissora -, a ex-refém das Farc disse que foi "impossível fisicamente" se levantar no horário, que precisava fazer uma espécie de "retirada" e que esta seria sua última entrevista.

Betancourt passou por uma bateria de exames médicos desde que chegou à França, na última sexta-feira (4). Os testes não revelaram problemas de saúde particulares, apesar das doenças que teria sofrido durante seu cativeiro.

No que diz respeito aos planos pessoais, Ingrid contou que ainda nesta sexta irá ao santuário de Lourdes, no sul da França, e que depois tirará férias.

Após admitir que "uma pessoa se habitua rapidamente às coisas boas", disse que "não gostaria de perder de vista o privilégio" que tem em relação aos outros seqüestrados que continuam na selva. "França se mobilizou por mim, tem que se mobilizar pelo resto", completou.

Betancourt se reunirá, no próximo domingo (13), em Paris, com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, um evento "muito importante", segundo a ex-prisioneira. "A ONU tem que agir, tem que nos ajudar", disse.

Questionada sobre as "coisas atrozes" que vivenciou no cativeiro, respondeu: "Sei que terei que falar", mas até agora "não disse nada à minha família (...), porque não consigo fisicamente tirar isso de mim", já que "foi muito duro psicologicamente" e "é muito duro falar".

"As Farc teriam me matado se não tivesse havido a pressão da França", disse, antes de destacar que tentou fugir várias vezes e que, embora fosse castigada, não a executaram, como fizeram com um soldado que tentou escapar apenas uma vez.

A respeito as sua libertação, Ingrid não quis entrar na polêmica de se foi uma vitória do presidente colombiano, Álvaro Uribe, sobre o francês, Nicolas Sarkozy: "Acho que o êxito é de todo o mundo".

"Se a França não tivesse intervindo como fez, não estaria aqui", reiterou, já que se as autoridades colombianas optaram por uma operação que evitava o uso da força foi porque a "A França exigiu isso publicamente".

Betancourt justificou as freqüentes alusões religiosas que fez desde que foi libertada. "Não posso fazer nada além de dar testemunho do que vivi. Para mim, Nossa Senhora não é só uma imagem. Esteve comigo em cada instante e ainda está", ressaltou.

Questionada sobre uma possível volta à Colômbia, apesar de confirmar que certamente retornará ao país, Ingrid disse que é preciso ter prudência. "Voltarei à Colômbia, mas de modo que não crie preocupação à minha família. O mínimo é ser prudente", afirmou.

A ex-refém disse precisar de tempo para decidir se continua na política e de que forma: "Minha ambição não é ser presidente da Colômbia (...). Há outros espaços onde se pode ajudar os demais".

Com informações da EFE

Foto: Divulgação

Leia mais