Infectologista recomenda uso de ‘face shield’ além da máscara nas redações jornalísticas

Unaí Tupinambás apresentou formas de minimizar riscos aos profissionais que trabalham em ambientes fechados

Atualizado em 06/08/2020 às 11:08, por Deborah Freire.

Salas sem janelas, ar condicionado ligado o dia inteiro e pouca circulação de ar fazem das redações jornalísticas ambientes de maior risco para a contaminação por coronavírus, mais até do que para os repórteres nas ruas.

Crédito:Pexels Face shield e máscara protegem mais se usados juntos, diz infectologista


Essa é a avaliação do médico infectologista Unaí Tupinambás, membro do comitê de enfrentamento ao coronavírus da Universidade Federal de Minas Gerais. Ele falou sobre o assunto em um debate pelo YouTube com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais daquele estado. .


Para defender o uso da máscara junto com o face shield, que é uma proteção plástica para todo o rosto, o infectologista apresentou dados de um compilado de estudos feito pela revista The Lancet.


A partir dos 172 estudos feitos em 16 países com 25.697 participantes, foram feitas as seguintes conclusões:


- Sem distanciamento entre as pessoas, o risco de contágio é de 12,8%. Com distância acima de 1 metro, cai para 2,6%;


- Sem máscara (a de tecido caseira ou a descartável), o risco é de 17,4%; com máscara, cai para 3,1%;


- Sem o face shield, a chance de contaminação é de 16%, e com ele cai pra 5,5%.


“Se fazemos o uso da máscara facial mais o face shield, aumentamos muito a nossa proteção. Então por isso a importância de todos, principalmente em ambientes fechados, como as redações, sempre usarem máscara e face shield, ter sempre álcool em gel na mesa. O face shield também vai lembrar você de não levar a mão ao rosto”, explica.


A transmissão pelo coronavírus, ele reforça, pode ocorrer de pessoa a pessoa, por meio de gotículas que saem na respiração, mas que flutuam no ar por menos de dois metros de distância e depois caem; por partículas aerossóis, mais comuns em ambientes hospitalares; e pelo contato com superfícies contaminadas.


Como minimizar riscos


Para se proteger, o jornalistas devem seguir recomendações simples, já amplamente divulgadas pelos estudiosos da saúde. Veja o que o infectologista recomenda:


Distanciamento – “Em ambientes abertos, sem aglomeração, manter distância de dois a dois metros e meio. Será muito pouco provável a transmissão, porque em locais abertos, muito arejados, a partícula de vírus é diluída com o vento”;


Máscara e face shield – “No ambiente fechado, como redações, TVs, rádios, há maior risco. Temos que considerar a importância de usar o EPI: máscara e face shield, porque assim eu diminuo a quantidade de partículas no ambiente;


Trocas de máscara – “A máscara caseira deve ser trocada a cada duas horas de uso. Se você vai ficar seis horas no ambiente de trabalho, você deve levar três máscaras”;


Cafezinho – “Não pode existir pelo menos dentro das redações, porque na hora do lanche você tira a máscara. Tem que ser na rua ou no pátio, mantendo distância”;


Silêncio! – “As pessoas devem preferencialmente fazer silêncio, ou falar menos para eliminar menos vírus. Na respiração, você elimina muito menos do que se está falando ou cantando”;


Ar condicionado – “Não potencializa o risco, o que aumenta é a falta de circulação de ar, por isso, mais uma vez, os jornalistas têm que usar EPI”;


Colega testou positivo – “O ideal é que todo mundo que teve contato com essa pessoa fique de quarentena em casa por 10 dias. Depois, se não teve sintomas, pode voltar. Também seria recomendável, num cenário ideal, fazer o exame RT-PCR, que é o padrão para o diagnóstico de Covid-19”.


Com máscara, cabeleireiros evitaram contágio


Por fim, o médico citou um trabalho de grande repercussão no meio científico, em que dois cabeleireiros em Springfield, nos EUA, que estavam com sintomas de Covid, realizaram o exame no terceiro dia e trabalharam até o resultado ficar pronto, por aproximadamente oito dias no total.


Eles continuaram usando máscara no ambiente de trabalho, que era fechado, e atenderam mais de 130 clientes, todos usando a proteção.


Os cabeleireiros testaram positivo, enquanto dos 60 clientes que foram testados, nenhum desenvolveu a doença nesse período. Os não testados também não apresentaram a Covid.


“Isso mais uma vez reforça a necessidade de seguirmos estritamente as recomendações e, para os jornalistas que trabalham em ambiente fechado, vocês devem manter o distanciamento social, usar a máscara obrigatoriamente, trocando a cada duas horas, ter frasco de álcool em gel na mesa, e eu recomendo usar o face shield”, diz Tupinambás.