'Incomodamos apontando as estupidezes humanas', diz cartunista Santiago
Livro 'Caderno de Desdenho' reúne trabalhos do artista nos últimos 30 anos
Atualizado em 14/03/2022 às 07:03, por
Denise Bonfim.
Obras já consagradas dividem espaço com desenhos inéditos em 'Caderno de Desdenho', livro que está sendo lançado pelo cartunista Santiago, composto por cartuns universais e atemporais que abordam temas como ecologia, costumes e crítica social.
Deles, 16 foram vencedores em premiações em salões nacionais e internacionais. Segundo o artista, que comemora 47 anos de profissão, a obra não é só uma tentativa de satisfazer um desejo pessoal, mas também proporcionar uma experiência diferente ao leitor.
"Tenho uma paixão démodé, pelo impresso. Acredito que nada substitui a sensação-tesão de abrir, tocar e saborear as páginas de um livro", contou, em entrevista exclusiva à IMPRENSA. Crédito:Divulgação
Caderno de Desdenho: 'Se o rei está nu, alguém precisa registrar com qualidade e excelência' "Ainda a ideia de manutenção das obras, a gente sabe que o papel é sempre uma plataforma razoavelmente duradoura. Não sabemos se as publicações digitais serão abduzidas pelas intempéries eletrônicas", completa.
Segundo ele, o desenho de humor caminha ao lado dos fatos, se tornando uma ferramenta poderosa de apontar incoerências e "estupidezes", citando como exemplo, a Guerra da Ucrânia.
"O desenho de humor historicamente é um coadjuvante da política e dos acontecimentos jornalísticos. Desde o dia em que o homem aprendeu a imprimir, ou até antes, já começou a prática de criticar através da caricatura os desmandos dos governantes e poderosos", afirma.
"Não creio que influenciemos muito na política, mas incomodamos um pouco apontando as estupidezes humanas, como agora, a maior de todas, a guerra! Por isso o livro se chama 'Caderno de Desdenho', porque a missão do humorista é desenhar do poder, dos governos, dos preconceitos, da ignorância."
Liberdade de imprensa
Segundo Santiago, com a popularização das redes sociais, as tentativas de minar a liberdade de expressão dos cartunistas diminuíram - o que não significa que acabaram.
"[Há] bem menos [tentativas de censura] no advento da internet do que nos tempos em que a gente era contratado por um jornal ou revista, quando tinha um patrão determinando a linha da publicação, querendo sempre ter uma linha conservadora e de submissão aos anunciantes - que às vezes era o governo", lembra.
"A Internet não remunera o cartunista, mas também censura menos, talvez por isso. Claro que no Facebook e no Instagram já vi desenhos serem suprimidos, principalmente por razões de moral, anti-sexo. Mas nos grandes e extensivos meios, a censura se dá pelo controle dos barões da mídia."
'Caderno de Desdenho', da Libretos Editora, tem Bernardo Abreu como designer e diretor de arte, edição e editoração de Clô Barcellos.
Os cartuns selecionados foram originalmente publicados no jornal Extra Classe, CREA em Revista, revista Novo Olhar, revista Foco, revista Florense, revista Le Monde Diplomatique Brasil, revista AGAS, revista Momento, revista VOX, revista Porto & Vírgula, revista Aplauso, revista Na Janela, revista Bundas e Pasquim21, outros participaram em Salões Internacionais de cartuns e muitos são inéditos.
Deles, 16 foram vencedores em premiações em salões nacionais e internacionais. Segundo o artista, que comemora 47 anos de profissão, a obra não é só uma tentativa de satisfazer um desejo pessoal, mas também proporcionar uma experiência diferente ao leitor.
"Tenho uma paixão démodé, pelo impresso. Acredito que nada substitui a sensação-tesão de abrir, tocar e saborear as páginas de um livro", contou, em entrevista exclusiva à IMPRENSA. Crédito:Divulgação
Caderno de Desdenho: 'Se o rei está nu, alguém precisa registrar com qualidade e excelência' "Ainda a ideia de manutenção das obras, a gente sabe que o papel é sempre uma plataforma razoavelmente duradoura. Não sabemos se as publicações digitais serão abduzidas pelas intempéries eletrônicas", completa. Segundo ele, o desenho de humor caminha ao lado dos fatos, se tornando uma ferramenta poderosa de apontar incoerências e "estupidezes", citando como exemplo, a Guerra da Ucrânia.
"O desenho de humor historicamente é um coadjuvante da política e dos acontecimentos jornalísticos. Desde o dia em que o homem aprendeu a imprimir, ou até antes, já começou a prática de criticar através da caricatura os desmandos dos governantes e poderosos", afirma.
"Não creio que influenciemos muito na política, mas incomodamos um pouco apontando as estupidezes humanas, como agora, a maior de todas, a guerra! Por isso o livro se chama 'Caderno de Desdenho', porque a missão do humorista é desenhar do poder, dos governos, dos preconceitos, da ignorância."
Liberdade de imprensa
Segundo Santiago, com a popularização das redes sociais, as tentativas de minar a liberdade de expressão dos cartunistas diminuíram - o que não significa que acabaram.
"[Há] bem menos [tentativas de censura] no advento da internet do que nos tempos em que a gente era contratado por um jornal ou revista, quando tinha um patrão determinando a linha da publicação, querendo sempre ter uma linha conservadora e de submissão aos anunciantes - que às vezes era o governo", lembra.
"A Internet não remunera o cartunista, mas também censura menos, talvez por isso. Claro que no Facebook e no Instagram já vi desenhos serem suprimidos, principalmente por razões de moral, anti-sexo. Mas nos grandes e extensivos meios, a censura se dá pelo controle dos barões da mídia."
'Caderno de Desdenho', da Libretos Editora, tem Bernardo Abreu como designer e diretor de arte, edição e editoração de Clô Barcellos.
Os cartuns selecionados foram originalmente publicados no jornal Extra Classe, CREA em Revista, revista Novo Olhar, revista Foco, revista Florense, revista Le Monde Diplomatique Brasil, revista AGAS, revista Momento, revista VOX, revista Porto & Vírgula, revista Aplauso, revista Na Janela, revista Bundas e Pasquim21, outros participaram em Salões Internacionais de cartuns e muitos são inéditos.





