Incentivo e Recondicionamento: Gladir MacArthur

Incentivo e Recondicionamento: Gladir MacArthur

Atualizado em 08/12/2008 às 10:12, por Redação Revista Imprensa.


Gladir MacArthur

Coordenador nacional do Programa de Inclusão Digital do Banco do Brasil:

"Em 2004, substituímos 30 mil máquinas, que estavam defasadas para o Banco do Brasil [BB]. Mas para fazer telecentros, elas funcionariam perfeitamente. Poderia ter uma sobrevida de no mínimo mais cinco anos. Então o projeto vai no sentido de encaminhar esses computadores, com um servidor novo e computadores recondicionados. É mais para estimular socialmente o telecentro, a gente dá o fomento inicial e depois a sociedade toca. Foi o senhor Cerqueira César, vice-presidente de tecnologia, que deu o primeiro empurrão. São Paulo e Porto Alegre tiveram projetos semelhantes, inspirados em experiências colombianas e canadenses.

Para um cego, um computador que tem um leitor de tela é um mundo que se abre para ele. Tem mais autonomia, mais aprendizado, adquire empregabilidade... É uma transformação completa. Tem um impacto incrível.

Nosso foco foi privilegiar áreas carentes. Hoje o cliente exige mais do que bons serviços da empresa, exige uma atuação com responsabilidade sócio-ambiental. Se fosse um banco privado, já teria, mas um público tem responsabilidade maior ainda.

Sociedade de informação é uma oportunidade para países em desenvolvimento. Na revolução industrial, para você ter uma empresa, gerar capital e ter competividade, precisava construir uma fábrica que custaria bilhões. Hoje, tendo computador e cérebro, você pode fazer software e exportar para todos os países. A Índia, por exemplo, exportou em 2006 30 bilhões de dólares só em software. É uma oportunidade aberta para todos.

A opinião do cliente vale [para o Banco do Brasil], pois um banco cuja atuação sócio-ambiental é famosa, é mais atraente no mercado de ações, por exemplo. Mas também vaio ao encontro dos DRSs (desenvolvimento regional sustentável). O banco pode não ter hoje um retorno daquele empréstimo porque os juros são muito baixos, mas a longo prazo, ele pode trazer para perto de nós os clientes com potencial futuro. A inclusão digital também tem esse viés. Uma pessoa que começa a freqüentar um telecentro e a partir dele faz parte do mundo financeiro da nação, com certeza, é bom para a empresa, porque na frente ela vai se lembrar também que freqüentou um telecentro que tinha uma plaquinha do banco.

Hoje são dois mil telecentros, cada um com dez PCs. Um índice de 22% fecha, mas desses, mais da metade passaram para um outro projeto, como o Navega Pará. Atendemos a 800 municipios, é o programa com maior capilaridade depois do Gesac. Muitas vezes acontece de alguém que começou a experiência com o BB, ganhou experiência, mas ao sair um edital de um projeto com PC novo, conexão de graça, ele se inscreve nesse e migra. E normalmente mantém alguns dos PCs do BB paralelamente, funcionando por um tempo.

Lan house tem um papel importante, é uma inclusão digital bastante espontânea. O governo tem que pensar nisso e acho que uma das ferramentas é criar financiamentos para o empresário do setor. Deveria haver conversas sobre linha de crédito. Não tem nada ainda nesse sentido. [Outras alternativas de inclusão digital são] Cidades Digitais e o Wi Max, que não é caro, pode se fazer num misto com iniciativa privada e poder público. Os [celulares] 3G vão ter mais no futuro. Parte da classe C, e principalmente a D e a E ainda não têm capacidade financeira de investir em conexão na web, por enquanto.

Inclusão digital é real, está massificada, acontecendo e em massa."

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