Imprensa teve acesso a documentos sigilosos sobre Caso Isabella, diz especialista

Imprensa teve acesso a documentos sigilosos sobre Caso Isabella, diz especialista

Atualizado em 13/05/2008 às 15:05, por Redação Portal IMPRENSA.

"O Brasil precisa de uma Lei de Imprensa mais moderna, que acompanhe as inovações tecnológicas". Essa foi uma das declarações do advogado Cláudio José Langroiva Pereira, professor de Direito Processual Penal e de Legislação em Jornalismo da PUC-SP, que esteve no IMPRENSA na TV desta terça-feira (13).

O advogado debateu, entre outros assuntos, a série de processos movidos contra jornalistas e diversos meios de comunicação, inclusive os que envolvem a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e jornais como Folha de S.Paulo , O Globo e Extra . "Uma parte da imprensa abusa, e todos os jornalistas acabam pagando por isso", afirmou Pereira.

O advogado comentou ainda o tão falado Caso Isabella, que desde o último dia 29 de março não sai das páginas dos jornais, nem da maior parte dos canais de televisão. "Os casos não 'surgem', eles acontecem diariamente, tendo os pais como os principais autores desse tipo de violência doméstica".

De acordo com números da Andi, existem aproximadamente 4 mil casos de violência doméstica por ano no Brasil que acabam com a morte das crianças. A questão que fica é: por que o Caso Isabella teve tanta repercussão e despertou tanta comoção popular?

Sobre isso, Pereira afirma que "na noite do sábado em que Isabella morreu, não estava acontecendo nada na cidade e, por isso, a imprensa foi toda pra lá. Depois, continuou divulgando e as pessoas acompanhando o caso diariamente".

Além disso, o advogado afirma que "a imprensa teve acesso a peças sigilosas do processo. A Rede Globo mostrou documentos sigilosos e fez o papel especulativo". Pereira esclarece que o inquérito é sempre sigiloso e que, por isso, não deve ser divulgado pela imprensa. "Teve até coletiva de imprensa para divulgar dados, isso não existe", afirmou.

O advogado acredita ainda que a Justiça deve ser "rápida e efetiva", o que, segundo ele, evitaria o clamor público. "A polícia está se dedicando muito, porque há cobrança da sociedade, isso porque houve a grande exposição do caso. A publicidade do processo é essencial para a fiscalização por parte do cidadão, é uma garantia institucional. Mas, por outro lado, quando isso faz com que a vítima se torne também vítima dessa publicidade, há necessidade de se preservar as informações", finaliza.

O "IMPRENSA na TV" é exibido todas as terças-feiras, ao vivo, das 14h às 15h, pela AllTV.

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