Imprensa iraniana defende parlamentar processado por criticar Justiça

Após ter criticado o sistema judiciário de seu país e ter sido processado por "ofender a Justiça", o deputado iraniano Ali Motahari deu início a um debate que se espalha pelo Parlamento e pelos principais veículos de imprensa do Irã sobre a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar no país.

Atualizado em 13/01/2014 às 19:01, por Redação Portal IMPRENSA.

judiciário de seu país e ter sido processado por "ofender a Justiça", o deputado iraniano Ali Motahari deu início a um debate que se espalha pelo Parlamento e pelos principais veículos de imprensa do Irã sobre a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar no país.
Segundo a agência Efe, tudo começou no último dia 29 de dezembro, quando Motahari fez duras críticas ao sistema judiciário iraniano durante um discurso no Parlamento, chamando atenção para a falta de processos e pelas longas penas sentenciadas a vários dos envolvidos na "Maré Verde" - manifestações de 2009 em resposta a polêmica reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Um dia depois de seu discurso, ele foi acusado penalmente pelo procurador-geral de Teerã por "insultar" a Justiça. A imprensa iraniana não demorou para reagir.
O jornal iraniano Armam publicou esta semana uma matéria que cita o artigo 84 da Constituição, que garante a "todo representante o direito de expressar suas opiniões sobre todos os assuntos do país". Já o jornal Jomhuri-ye Eslami declarou que os deputados "podem comentar em todos os assuntos do país e expressar suas opiniões sobre normas e propostas", e que "ninguém pode perguntar por que um parlamentar criticou a Justiça e questionou as ações de seus funcionários".
Motahari respondeu a sua acusação por meio de uma carta, em que afirma que as acusações "cheiram a despotismo". "Seria melhor que a Justiça tolerasse as críticas e respondesse às perguntas como sinal de respeito à câmara", afirmou.