IMPRENSA invade redações masculinas e mostra VIP e Sexy antes das bancas
IMPRENSA invade redações masculinas e mostra VIP e Sexy antes das bancas
IMPRENSA invade redações masculinas e mostra VIP e Sexy antes das bancas
Por"As festas são a melhor parte do jornalismo delícia". Em uma terça-feira ensolarada, escutei essa frase do editor-chefe da revista Vip , uma das principais publicações masculinas do País. Bem-humorado, Celso Miranda me pegou de surpresa com essa informação, que ecoou em meus ouvidos logo quando cheguei a sua sala e percebi que teria um dia inteiro para descobrir o que ele realmente queria me dizer.
O dia anterior tinha sido um desses de festa e eu, como uma mulher de imprensa, queria saber no que ela tanto influenciaria a redação. Celso me disse que a edição de abril da revista Vip havia sido lançada naquela segunda, "com uma super festa em um restaurante bem bacana aqui em São Paulo". Dentre os convidados, sempre estão membros da equipe, as modelos que foram fotografadas e convidados - amigos dos amigos de todos os lados.
A redação foi enchendo aos poucos. Repórteres, produtores, responsáveis pela arte: todos foram chegando e se acomodando sonolentamente em suas cadeiras. A festa tinha sido um sucesso, e isso podia ser notado pelo cansaço e pelos comentários que dominavam a sala.
Descobrir como é feita uma revista masculina, "sem contar o segredo, é claro", como me alertou Celso Miranda, era meu principal objetivo. A primeira informação já foi uma surpresa: as modelos não ganham cachê para posar na Vip . Nem aquelas que saem na capa. "É a menina da vez, aquela que todo mundo quer ver. Nós a convidamos e ela pode aceitar ou não", afirmou o editor-chefe.
A revista Vip e as principais revistas masculinas do Brasil são destinadas, principalmente, aos homens jovens - entre 20 e 35 anos - financeiramente independentes, estudantes ou já empregados e que, muitas vezes, já têm um relacionamento amoroso consolidado. "Mas a Vip é a revista pra ele ler fora de tudo isso, pra ele curtir longe do trabalho e do namoro. Nós somos para o homem e pelo homem", enfatiza Miranda.
Apesar das fotos sensuais serem o principal atrativo da publicação, o conteúdo editorial é bastante explorado pelo editor, já que os leitores usufruem de 85% da parte escrita da revista, como ele mesmo afirmou. Mulheres, futebol e, em tempos mais modernos como os de hoje, a moda, formam o carro-chefe dos assuntos publicados em cada edição, que Miranda afirma não serem tão aprofundados, mas sim "voltados mais para o humor".
Durante a conversa sobre a linha editorial da revista - que me interessou mais do que a sobre os ensaios das modelos, assumo - resolvi prestar atenção em quantas mulheres compunham aquela redação. Das 17 pessoas que, segundo Celso Miranda, formam a equipe, seis são do sexo feminino. Uma delas é a Cuca, produtora e figura essencial dentro daquele espaço que muitos homens gostariam de conhecer.
O mito acabou. A redação da Vip não tem fotos de mulheres espalhadas por todos os lados, os homens não são carrancudos e as mulheres que trabalham por ali estão presentes mesmo que em menor número e ajudam, e muito, na produção da revista destinada ao setor "que mais cresce no mercado editorial do Brasil".
Celso Miranda afirmou ainda que suas concorrentes diretas são as revistas Sexy e Playboy , mesmo que esta última seja também da Editora Abril, assim como a Vip . "Apesar dessas revistas publicarem o nu e a gente o sensual, elas são dirigidas ao mesmo público e são, por isso, nossas maiores concorrentes", explicou o editor.
Já próximo às 18h, participei de uma importante reunião para o fechamento da revista. A conversa seria com o fotógrafo que faria as imagens da próxima capa. Celso, Cuca, fotógrafo e Al, da arte, sentaram-se em volta de uma mesa e começaram a pensar e a falar, todos ao mesmo tempo. "Brain storm", brincou Celso. E assim, em 40 minutos, foi decidido o cenário, as roupas (poucas) e a história que seria contada nas fotos de Gyselle, a ex-BBB que estampa a capa da revista do mês de maio.
Depois, eu soube pelo Celso que não seria mais nada daquilo. "Mudança de planos", ele disse. E assim se constitui o jornalismo delícia, já que no final "tudo dá mais do que certo".
Sexy
A revista Sexy , da Editora Rickdan, assim como a Playboy , da Abril, paga cachê para as modelos que estampam suas capas. "Para sair na Sexy , a mulher tem que ser linda. Fugimos um pouco dos estereótipos básicos, ou seja, das muito famosas e daquelas que querem ser famosas", explica Rui Ribeiro, editor-chefe da revista que passou por uma reformulação gráfica há um ano e meio, "para o cara não ter vergonha de comprá-la nas bancas".
Passei cerca de 4h na revista Sexy , em uma sala separada por baias, nas quais trabalham umas vinte pessoas. Desta vez, a surpresa se deu por conta da quantidade de revistas produzidas por aquela equipe. Fui visitar a Sexy e acabei descobrindo que, no mesmo lugar e com as mesmas pessoas, são também produzidas as revistas Premium e Total .
Ribeiro me explicou que a Sexy é uma revista dedicada ao público mais qualificado, com ensaios de mulheres mais conhecidas, com mais produção e investimento. "Somos mais ousados do que as nossas concorrentes, mas sem poses ginecológicas", esclarece.
Já a Premium , é uma publicação com menos conteúdo editorial e que se utiliza do ensaio que ficou em segundo plano para a Sexy . A Total é a mais popular das três revistas, com 80% de imagens e sem muita produção, como afirma o editor.
Apesar do excesso de produção, Ribeiro afirma que a equipe concilia muito bem o trabalho, já que as publicações fecham em datas diferentes. No entanto, "não existe aquela semaninha de folga que tem em quase todas as revistas".
Já a receita do conteúdo é praticamente a mesma das outras revistas masculinas, com assuntos como futebol, moda, bebidas e tecnologia. Mesmo assim, notei maior profundidade na abordagem de algumas notícias e, em meio ao humor, a revista Sexy também pode oferecer uma boa opção de reportagem investigativa, como a sobre os moradores de rua de São Paulo, publicada na edição de março deste ano.
Sobre as mulheres, Ribeiro garante que elas colaboram muito com a revista. "Não tem essa separação sexista. Temos uma mulher editora que também é colunista, e nossa editora de fotografia é uma mulher, o que funciona muito bem".
Susanne Sussaki, a produtora a que Ribeiro se referia, está há três anos na Sexy e diz que tem a fórmula do sucesso. "A mulher dirige melhor o ensaio fotográfico, porque sabe da fantasia do homem de maneira mais sensual, sem ser tão explícito".
Mito dois desvendado: nem em uma revista mais ousada, como a Sexy , as mulheres andam nuas pela redação em meio a homens que só falam delas o tempo todo. Na verdade, as mulheres participam e muito de todo o desenvolvimento dessas publicações. São fotografadas, produzem, escrevem, editam e, como eu, passam o dia maravilhadas com esse universo que foi, teoricamente, reservado para os homens.






