Imprensa estatal da China censura discurso reformista de premiê

Imprensa estatal da China censura discurso reformista de premiê

Atualizado em 15/10/2010 às 08:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Uma frase do premiê chinês Wen Jiabao foi censurada pelos órgãos de comunicação estatais da China, em que declara ser favorável a reformas política e econômica no país.
Durante discurso feito em agosto deste ano, Jiabao disse que o governo não só deveria "avançar na reforma do sistema econômico, mas também na do sistema político. Sem uma reforma política, a China pode perder o que já conseguiu por meio da reestruturação econômica."

De acordo com o portal Folha.com, o premiê concedeu uma entrevista à rede CNN, na última semana, em que afirmou que a população deseja que haja democracia e liberdade no país. A declaração também foi censurada pela imprensa estatal

Para o escritor Richard McGregor, o sistema político chinês dificulta uma "interpretação definitiva" dos comentários sobre liberdade e democracia feitos pelo premiê. Para McGregor, autor de um livro sobre o Partido Comunista da China (PCC), a censura às declarações de Jiaobo poderia significar uma minoria dentro da elite comunista apoiaria a reforma política.

"Numa possível leitura, as declarações (...) estão dizendo que a China é tão democrática como o Ocidente, mas à sua maneira. Cada vez mais, creio que os comentários de Wen são mais do que isso e refletem um debate de alto nível e possivelmente divisões genuínas dentro da liderança sobre a reforma política", explicou o escritor.

Recentemente, ex-dirigentes do PCC divulgaram uma carta aberta pedindo a abolição da censura no país. O documento havia sido publicado na web na última terça (12) e foi retirado no mesmo dia. O texto dizia que a liberdade de expressão e de imprensa adotada na China "é inferior até à liberdade confiada aos residentes da colônia de Hong Kong antes de seu retorno à soberania chinesa", em 1997.

O grupo de 23 ex-integrantes do partido também defendia a reforma dos órgãos de propaganda estatais, a suspensão da censura na Internet e a privatização dos jornais estatais.

A carta foi divulgada quatro dias após a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao ativista chinês Liu Xiaobo, preso desde 2008 e defensor da liberdade de expressão no país. A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que o título "constitui um gesto de alcance histórico a favor do movimento pela liberdade de expressão na China".

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