Imprensa estatal da China censura discurso reformista de premiê
Imprensa estatal da China censura discurso reformista de premiê
Uma frase do premiê chinês Wen Jiabao foi censurada pelos órgãos de comunicação estatais da China, em que declara ser favorável a reformas política e econômica no país.
Durante discurso feito em agosto deste ano, Jiabao disse que o governo não só deveria "avançar na reforma do sistema econômico, mas também na do sistema político. Sem uma reforma política, a China pode perder o que já conseguiu por meio da reestruturação econômica."
De acordo com o portal Folha.com, o premiê concedeu uma entrevista à rede CNN, na última semana, em que afirmou que a população deseja que haja democracia e liberdade no país. A declaração também foi censurada pela imprensa estatal
Para o escritor Richard McGregor, o sistema político chinês dificulta uma "interpretação definitiva" dos comentários sobre liberdade e democracia feitos pelo premiê. Para McGregor, autor de um livro sobre o Partido Comunista da China (PCC), a censura às declarações de Jiaobo poderia significar uma minoria dentro da elite comunista apoiaria a reforma política.
"Numa possível leitura, as declarações (...) estão dizendo que a China é tão democrática como o Ocidente, mas à sua maneira. Cada vez mais, creio que os comentários de Wen são mais do que isso e refletem um debate de alto nível e possivelmente divisões genuínas dentro da liderança sobre a reforma política", explicou o escritor.
Recentemente, ex-dirigentes do PCC divulgaram uma carta aberta pedindo a abolição da censura no país. O documento havia sido publicado na web na última terça (12) e foi retirado no mesmo dia. O texto dizia que a liberdade de expressão e de imprensa adotada na China "é inferior até à liberdade confiada aos residentes da colônia de Hong Kong antes de seu retorno à soberania chinesa", em 1997.
O grupo de 23 ex-integrantes do partido também defendia a reforma dos órgãos de propaganda estatais, a suspensão da censura na Internet e a privatização dos jornais estatais.
A carta foi divulgada quatro dias após a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao ativista chinês Liu Xiaobo, preso desde 2008 e defensor da liberdade de expressão no país. A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que o título "constitui um gesto de alcance histórico a favor do movimento pela liberdade de expressão na China".
Leia mais
-
-






