"Imprensa é seletiva", afirma ex-Procurador-Geral da República sobre notícias da Lava Jato

Em entrevista à BBC Brasil, o ex-Procurador-Geral da República, Claudio Lemos Fonteles, disse que não enxerga fundamentos jurídicos nas recentes ações do Ministério Público contra o ex-presidente , mas alerta que o Ministério Público não deve "se deixar conduzir" pelos jornalistas.

Atualizado em 18/03/2016 às 09:03, por Redação Portal IMPRENSA.


Crédito:EBC Ex-Procurador-Geral da República criticou cobertura da imprensa sobre a Lava Jato
Lemos afirma que "a imprensa é seletiva" por não dar o mesmo destaque para supostas irregularidades de outros políticos. Além disso, ressaltou que os investigadores "não podem se deixar levar por esse espiral de informações midiáticas todo dia".
Embora critique as recentes ações, o ex-Procurador-Geral vê com bons olhos a atuação geral da Lava Jato, refutando qualquer motivação política por trás das investigações. "Não há perseguição (política do Ministério Público). Seletividade sim, que é da imprensa. A seletividade está vindo da mídia".
Para exemplificar sua visão, Lemos citou o caso revelado pelo jornal Folha de S.Paulo de que Fernando Henrique Cardoso teria usado uma empresa no exterior para enviar dinheiro para a jornalista Mirian Dutra, com quem manteve um relacionamento extraconjugal. "Por que não continuou o caso FHC? Sumiu. Foi um dia e depois acabou. Por que não se continua com relação a outros políticos que estão aí?".