“Imagens distorcidas da realidade”, por Marcelo Molnar
Tendemos a idealizar quem não conhecemos, atribuindo-lhes qualidades e características desconhecidas. Muitas vezes, esse comportamento é um
Opinião
Vivemos em um mundo carente de reflexões profundas. As relações humanas e a natureza de nossa percepção sobre os outros são pobres, deformadas e enganosas. As pessoas que não conhecemos carregam, em nossas mentes, um certo mistério e um potencial ilimitado. Para o bem e para o mal. Elas podem representar medo e insegurança ou novas oportunidades, experiências inéditas e a possibilidade de enriquecimento pessoal e cultural.
reflexo do nosso desejo de encontrar o bom e o belo no desconhecido. Uma curiosidade inata em aprender sobre novas culturas, o que nos ajuda a expandir nossa compreensão do mundo. Por isso, o turismo e as viagens fascinam tanta gente.
Normalmente, as pessoas que conhecemos nos desapontam e causam estresse. Em contraste, aquelas que ainda não tiveram a chance de nos decepcionar parecem melhores do que realmente são. Isso representa um convite para explorar e apreciar essa diversidade. Pode também ser uma ponderação sobre como nos relacionamos socialmente, lembrando-nos de manter uma mente aberta e um coração acolhedor para novas experiências.
Em ambientes de redes sociais, destacamos postagens que geralmente mostram apenas os aspectos positivos do cotidiano, levando-nos a acreditar que suas vidas são perfeitas ou maravilhosas. Vemos apenas uma versão distorcida da realidade de alguém, pois, ao conhecermos essa pessoa na intimidade, constatamos as diferenças em relação ao que acontece de verdade no dia a dia.
Essa avaliação vale também quando votamos e elegemos candidatos apenas pela sua imagem, sem realmente conhecer a pessoa real, com seus desafios e complexidades, por trás de cada campanha. Buscar conexões autênticas e significativas envolve ir além das aparências e discernir as verdades em um nível mais profundo, algo dificilmente alcançável em projetos midiáticos como propagandas eleitorais, que visam atender um desejo coletivo existente, mas nem sempre evidenciado.
Estamos acostumados a absorver abordagens empáticas e compreensivas, seja em ideais acadêmicos ou históricos, sobre escolhas, cujo verdadeiro significado, nunca saberemos. Assim como nas redes sociais, os candidatos apresentam uma versão cuidadosamente construída para obter votos. As discrepâncias entre essas promessas, a transparência de suas ações e capacidades, servem como um alerta para que sejamos críticos e cautelosos com aptidões que parecem boas demais para ser verdade.
Normalmente, nos sentimos desiludidos ao descobrir que aqueles em quem votamos não correspondem às expectativas criadas. Em um sentido mais amplo, devemos promover um ceticismo saudável em relação às nossas concepções internas. Acreditamos naquilo que nos fazem acreditar. Quanto maiores as certezas, maiores as dificuldades em aceitar que podemos estar enganados. Vivemos em uma era paradoxal entre nossas convicções e dúvidas, pois as informações e os dados disponíveis são tão abundantes que qualquer cenário pode ser construído com lógica e credibilidade.
Em 2024, teremos impactos desta situação em diversos cenários. Processos eleitorais definirão nosso futuro local, e sofreremos influências internacionais nos quais não participaremos. É importante encorajar as pessoas a questionar quaisquer informações, procurando fontes confiáveis e diversas, para entender que a imagem pública de uma pessoa é cuidadosamente construída, e não retrata fielmente os fatos. A constante exposição a vidas aparentemente “perfeitas” nas redes sociais afeta nossas opiniões e autoestima, assim como os candidatos afetam nossas percepções de concretude. Precisamos de resiliência emocional e psicológica para lidar com a desilusão e as narrativas apresentadas, diante da imperfeição do mundo ao nosso redor.
* é formado em Química Industrial, com pós graduação em Marketing e Publicidade. Experiência de 18 anos no mercado da Tecnologia da Informação, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Criador do processo ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de sua relação emocional com seus consumidores. Coautor do livro "O segredo de Ebbinghaus". Atualmente é Sócio Diretor da Boxnet.





