"Ilustradores não se veem ainda como jornalistas", diz Ricardo Cunha Lima
"Ilustradores não se veem ainda como jornalistas", diz Ricardo Cunha Lima
Ricardo Cunha Lima é ilustrador, designer, já foi professor universitário e acumula passagens pelos maiores veículos impressos do país. Com esse histórico, o entrevistado desta semana da seção "Traço", tem autoridade suficiente para olhar para seus colegas de profissão e sentenciar que os "ilustradores não se veem ainda como jornalistas", visão essa que, em sua opinião, contribui para o distanciamento entre repórteres e ilustradores.
| Ricardo Cunha |
Para ele, não deve existir diferenciação entre a informação escrita e a apresentada através de imagens, posto que, ambas possuem a mesma intenção, mas estão longe de angariar o mesmo reconhecimento. "As pessoas têm uma tendência de ver os profissionais como pessoas que vão embelezar, mas ele [o ilustrador] está lá pra comunicar e, sem dúvida, é uma forma de comunicação, mas em uma linguagem mais pictórica. É preciso entender que o jornalismo não se limita à escrita".
| Ricardo Cunha |
Ele desmistifica a função do designer como artista incompreendido e o coloca como simples produtor de conteúdo que, antes de militar por seu traço artístico, deve compreender o mercado e atuar, em princípio, como peça integrante deste cenário. "Ele tem que ter uma visão artística, mas ele sempre tem que se perguntar: 'Para quê serve a ilustração que estou produzindo?'; ' Qual o contexto da informação?' ; 'Por que você quer que eu faça isso?'".
| Ricardo Cunha |
O segredo da comunicação bem sucedida para os profissionais tanto do traço quanto da escrita, segundo Lima, está em entender o contexto, pois, quanto mais clara for "esta percepção, melhor será o resultado do trabalho requisitado pelo cliente". "Esta, aliás, é a principal lição que um estudante pode aprender na faculdade", revela o ilustrador.
Lima revela, ainda, que os avanços tecnológicos militaram a favor da divulgação do trabalho dos ilustradores, mas prejudicaram a profissão por conta do barateamento das obras. "A ampla divulgação barateou a ilustração. A gente tem que produzir muito para viver disso, mas o mercado é vasto. No entanto, o que me preocupa é que em todas as áreas os trabalhos estão ficando cada vez mais baratos".
| Ricardo Cunha |
Segundo ele, este fenômeno de desvalorização ocorre, principalmente, por conta das pessoas associarem qualidade com rapidez, aspectos que, quase sempre, não caminham juntos. "Não é porque se pode entregar um trabalho com muito mais rapidez que antigamente que isso demandará menos tempo do ilustrador. Essa é uma falta de visão preocupante que pode diminuir, cada vez mais, a qualidade".
| Ricardo Cunha |
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