Igreja Universal exige censura a cartunista que criticou "Gladiadores do Altar"

Vitor Teixera recebeu uma notificação da IURD exigindo que uma de suas artes suas fosse removida de sua página no Facebook.

Atualizado em 25/03/2015 às 14:03, por Lucas Carvalho*.

O cartunista Vitor Teixera recebeu uma ameaça de censura pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A organização exigiu que uma de suas artes — uma crítica ao projeto "Gladiadores do Altar" — fosse removida do Facebook sob a acusação de "incitar o ódio religioso".
Crédito:Reprodução/Facebook A charge de Vitor Teixeira teve de ser removida após pedido da Universal
Segundo a revista Fórum , o desenho mostrava um gladiador com o símbolo da Universal no peito, atravessando uma espada pelo corpo de uma umbandista. O projeto "Gladiadores do Altar" gerou polêmica depois que um vídeo foi publicado na internet mostrando fiéis vestidos como militares, marchando e gritando palavras de ordem em uma ação na igreja.
"O desenho foi feito no intuito de alertar a população, especialmente as religiões de matriz africana, da ilegalidade e do perigo que é a criação de uma milícia evangélica", disse Teixeira em entrevista à Fórum . O cartunista afirmou ainda que a Universal pediu ao Facebook que retirasse sua do ar, além de exigir dados completos sobre ele. Após negociação, ficou decidido que apenas o desenho em questão seria removido.
"Me senti intimidado com o comunicado deles. Não apenas temi pela minha liberdade de pensamento, como pela minha integridade física, já que agora eles possuem um ‘exército’", declarou ainda o cartunista.

À IMPRENSA, a IURD confirmou o envio de uma notificação extrajudicial. "O autor produziu e publicou uma ilustração acusando a Universal assassinar, ou de pretender matar praticantes de religiões de matriz africana. Incitar o ódio é crime. Acusar falsamente de cometer um crime, também é crime. No estado de direito, a liberdade de expressão não autoriza ou legitima absurdos como tal imagem horrenda, veiculada de modo irresponsável", declarou a instituição.
"Voluntariamente, o chargista apagou a postagem, certamente por reconhecer o erro que cometeu. A Universal respeita e defende as liberdades constitucionais de crença, de culto e de opinião. Mas jamais aceitará calada ataques delinquentes de preconceito e rancor. Casos semelhantes terão tratamento igual perante a Justiça", acrescentou a Universal. Após remover a publicação, Teixeira uma nova arte, em que mãos algemadas com o símbolo da igreja seguram um lápis diante de uma folha em branco. "Não me calarão", diz a legenda.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves