Ideia de que imprensa é inimiga do povo deve ser combatida, diz repórter da CNN
Após bate-boca com o presidente dos EUA, durante entrevista coletiva em novembro de 2018, Jim Acosta, repórter de política da CNN, chegou a ter suas credenciais pedidas por Donald Trump.
Atualizado em 01/10/2019 às 15:10, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito: Mandel Ngan - 16.nov.18/AFP O homem mais poderoso do mundo almejava impedir a entrada do jornalista na Casa Branca. A medida acabou barrada na Justiça americana, gerando muita discussão sobre liberdade de imprensa e o nível das críticas do governo Trump ao trabalho da imprensa.
Lançando "O inimigo do povo", livro com essa e outras histórias dos bastidores da cobertura da atual gestão americana, Acosta conversou recentemente com o jornal Folha de São Paulo.
Antes de falar sobre as semelhanças entre os ataques de Trump e de Bolsonaro à imprensa, ele explicou que o livro foi batizado de "O inimigo do povo" em referência à expressão usada para criticar jornalistas.
"Gostaria que o leitor refletisse se é apropriado o presidente dos EUA se referir à imprensa como 'inimiga do povo'", disse Acosta. Ele lembrou que nos últimos três anos a hostilidade direcionada à imprensa pelo presidente tem sido absorvida por um número cada vez maior de seus apoiadores, que a redirecionam à imprensa "de uma maneira ameaçadora".
Além de citar as inúmeras ameaças de morte que ele e colegas têm sofrido, Acosta disse à Folha que líderes ao redor do mundo estão tentando imitar Donald Trump no modo de lidar com a imprensa. Bolsonaro, ele prossegue, é o exemplo máximo dessa teoria.
"Creio que não há dúvidas que isso traz um efeito negativo para o debate político", analisa o jornalista, lembrando que políticos ultranacionalistas e ultraconservadores atacam a imprensa para ganhos eleitorais.
Acosta lembra que a orientação do governo Trump de atacar a imprensa veio originalmente do ex-assessor Steve Bannon, hoje rompido com o presidente.
"Mas a imprensa não é oposição, a imprensa existe para fazer um trabalho. Estamos aqui para mantê-los sob pressão, para responsabilizá-los, para obrigá-los a dizer a verdade. Fica claro que o presidente Trump não gosta de ser questionado ", diz o jornalista da CNN.





