The New York Times comenta violência e formação de milícias no RJ
The New York Times comenta violência e formação de milícias no RJ
The New York Times comenta violência e formação de milícias no RJ
O jornal norte-americano The New York Times publicou, nesta sexta-feira (13), uma reportagem comentando o caso das milícias no Rio de Janeiro e citando como exemplo a violência sofrida pela equipe do jornal O Dia , na favela do Batan, capital carioca, no último mês de maio.
Intitulada "Milícias substituem gangues como reis do crime no Rio", a reportagem de um dos jornais mais importantes do mundo afirma que o Brasil é um país que passa "por um boom econômico, que está tirando milhões de pessoas da pobreza. Mas no Rio, o incidente, que veio à tona em uma série de artigos publicados pelo jornal O Dia , se tornou um proeminente sinal das pressões nesta cidade, contaminada pela violência e por uma força policial notoriamente corrupta". "As milícias que expulsam traficantes e assumem o controle das favelas são uma nova ameaça violenta no Rio de Janeiro", disse o NYT .
Dessa forma, a reportagem reconhece o crescimento econômico brasileiro, mas foca na proliferação das favelas e milícias do Rio. Ainda de acordo com o jornal, os baixos salários acabam levando policiais, bombeiros e funcionários de prisões a formar essas milícias, enquanto mantêm seu trabalho regular.
"As milícias preencheram um vácuo de autoridade prometendo aos moradores segurança em troca de pagamentos. Ao mesmo tempo, eles tomam para si uma série de empresas ilegais: o controle do suprimento de água e gás natural, de máquinas de apostas, a divisão de conexões de TV a cabo e, em muitos casos, a venda de drogas".
No entanto, o jornal ainda afirma que, para muitas das comunidades, as milícias são o mal menor, e cita o chefe do Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, que combate o crime organizado no Rio), Cláudio Ferraz, para quem as milícias ganham a simpatia das comunidades por expulsar os traficantes.
"As milícias, estimadas entre 60 e 100, têm conexões poderosas e freqüentemente estão ligadas não apenas à força policial da cidade, mas também a políticos que oferecem um porto seguro em troca da garantia de votos ou dinheiro dos moradores", afirma a reportagem, citando os casos do vereador Jerônimo Guimarães Filho, preso em dezembro sob acusação de formar milícia, e do deputado e ex-chefe de polícia do Rio Álvaro Lins, acusado de ajudar na formação de grupos armados.
A polícia tem medo de agir contra as milícias por causa das violentas represálias, diz o jornal, e mesmo os jornalistas seqüestrados e torturados do jornal O Dia mantiveram seu nome em sigilo, em uma tentativa de evitar atos de vingança.
"Enquanto alguns moradores lamentavam o que ocorreu com os jornalistas, a maioria disse que se sente mais segura com a milícia. Poucos, no entanto, revelaram seus nomes quando discutiram o assunto, dizendo temer retaliação", afirma a matéria.
Uma moradora disse ao NYT que as coisas haviam melhorado desde a chegada da milícia na comunidade e outro afirmou que, com a milícia desmantelada, temia que, quando a polícia deixasse o local, gangues de traficantes voltariam a invadir a favela, reiniciando o ciclo de violência.
As informações são do Portal Estadão.
Leia mais:






