Le Monde diz que processará governo francês por investigar identidade de fonte

Le Monde diz que processará governo francês por investigar identidade de fonte

Atualizado em 14/09/2010 às 09:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Le Monde diz que processará governo francês por investigar identidade de fonte

O jornal francês Le Monde anunciou que processará o Palácio do Eliseu, escritório do presidente da França Nicolas Sarkozy, por ter ordenado aos serviços de espionagem do país que descobrissem a identidade de uma fonte usada em uma reportagem sobre o escândalo financeiro envolvendo a herdeira da L´Oreal, Liliane Bettencourt, a mulher mais rica do país.

A publicação alegou que a atitude seria "uma iniciativa intencional que viola o princípio que institui os jornalistas como contrapoder necessário" ao país.

Um artigo de lei criado em 1881, sobre liberdade de imprensa, recebeu uma emenda em janeiro deste ano, proposta pelo governo de Sarkozy. A alteração afirma que o sigilo da fonte é protegido no exercício jornalístico de levar informação ao público. Para o Le Monde , o Palácio do Eliseu desrespeitou a legislação.

O diretor do jornal, Eric Fottorino, declarou que a matéria sobre o escândalo financeiro só foi publicada após o veículo ter coseguido "elementos tangíveis, bem definidos".

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo , o Le Monde apurava denúncias sobre as relações do ministro do Trabalho francês, Eric Woerth, e Liliane. O assunto foi destaque de capa e editorial da publicação na última segunda-feira (13).

O diário francês alegou que a presidência teria enviado ordens à Direção Central de Informação Interior (DCRI) para espionar um alto funcionário do Estado, identificado como David Sénat, conselheiro penal do gabinete do ministério da Justiça, para que se pudesse descobrir se ele foi informante do Le Monde .

A informação sobre a ordem dada pelo escritório da presidência foi confirmada na segunda pelo diretor do DCRI, Frédéric Péchenard. Em nota oficial, Péchenard afirmou que a entidade "procurou legitimamente a origem dos vazamentos que lhe foram apontados", e que os agentes não fizeram "mais do que seu trabalho".

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