La Presse française au Brésil
La Presse française au Brésil
La Presse française au Brésil
Os fogos de artifício que iluminaram os céus do Rio de Janeiro, no feriado de Tiradentes, anunciaram o início das celebrações do Ano da França no Brasil. A oportunidade de lembrar, dentre tantas influências da cultura francesa, a serem passadas em revista em 2009, a importância da imprensa desse pais como referência para editores, chargistas e jornalistas, em particular no século XIX, até os anos vinte do século passado, quando o sotaque francês de fato atraia o público leitor. Em especial no Rio de Janeiro, capital do país, onde as revistas parisienses podiam ser adquiridas com facilidade. Leitura obrigatória das famílias de melhor condição econômica.
O Brasil já lia as publicações francesas desde a chegada da família real (1808), em especial Le Moniteur (órgão napoleônico) e Gazette de France , ambos fontes recorrentes da Gazeta do Rio de Janeiro , os periódicos recebidos através dos malotes diplomáticos e repassados ao redator da Imprensa Regia. A partir dos anos 30 do mesmo século referido assimilamos da imprensa francesa, especificamente do "Journal de Paris", a seção que em Portugal se chamou "Comunicados" e no Brasil "A Pedidos" que nada mais era do que um publi-editorial onde cidadãos escudados no anonimato denegriam pessoas, instituições, insultando e caluniando autoridades, ou personalidades em destaque. Com o consentimento dos editores, alguns deles usando o espaço, sob pseudônimo, para não assumir responsabilidades.
Influência no traço
Na segunda metade do século XIX a imprensa francesa influencia o traço de nossos artistas gráficos. Gavarni é a nossa referência, alias de todos os caricaturistas do mundo, então, seduzidos com seus Les Enfants Terribles, Les Actrices e Les Étudiants, as séries reproduzidas pelo jornal humorístico Le Charivari. Mas também Daumier e Grandville, admirados por Ângelo Agostini, que lhes conheceu o traço quando morou em Paris bem antes de aportar no Brasil onde se tornaria o maior artista gráfico, ícone da melhor imprensa ilustrada daquele século: Diabo Coxo, O Cabrião, O Mosquito, A Vida Fluminense e sua melhor obra A Revista Ilustrada. A sátira brasileira foi fortemente influenciada pela sátira francesa e essa irreverência mais tarde seria uma característica, também, de nossa publicidade.
No final do século XIX as revistas parisienses podiam ser adquiridas em vários estabelecimentos comerciais do Rio de Janeiro e também em Salvador e no Recife, em especial "L' Ilustration" e "Le Petit Journal"; ambas as publicações destacaram as experiências de Santos Dumont, primeiro com balões, mais tarde com o 14 BIS. Foi no "L' Ilustration" que o Barão de Tefé foi buscar referências gráficas e de conteúdo em 1901 para fundar a Revista da Semana. Que nasceu com a qualidade das melhores revistas do mundo e foi a semanal de maior longevidade na história da imprensa brasileira.
A verdade é que até a década de 30 os magazines parisienses influenciaram e muito as revistas brasileiras. No traço dos caricaturistas, no conteúdo, no leiaute, no padrão editorial. O Malho, Fon Fon, Semana Ilustrada e A Ilustração Brasileira, são referências editoriais da França. Indiretas, mas marcantes. Não tão explícitas quanto à da Leitura para Todos, Revista da Moda e Eu Sei Tudo que praticamente eram franquias da Lectures Por Tous, Revue Dês Modes e Je Sais Tout. Publicações que faziam a cabeça das famílias brasileiras. Até o surgimento de O Cruzeiro (1928), o modelo Time, este de influência anglo-saxônica, um estilo editorial preponderante durante todo o século XX.






