La Presse française au Brésil

La Presse française au Brésil

Atualizado em 27/04/2009 às 09:04, por Nelson Varón Cadena.

La Presse française au Brésil

Os fogos de artifício que iluminaram os céus do Rio de Janeiro, no feriado de Tiradentes, anunciaram o início das celebrações do Ano da França no Brasil. A oportunidade de lembrar, dentre tantas influências da cultura francesa, a serem passadas em revista em 2009, a importância da imprensa desse pais como referência para editores, chargistas e jornalistas, em particular no século XIX, até os anos vinte do século passado, quando o sotaque francês de fato atraia o público leitor. Em especial no Rio de Janeiro, capital do país, onde as revistas parisienses podiam ser adquiridas com facilidade. Leitura obrigatória das famílias de melhor condição econômica.

O Brasil já lia as publicações francesas desde a chegada da família real (1808), em especial Le Moniteur (órgão napoleônico) e Gazette de France , ambos fontes recorrentes da Gazeta do Rio de Janeiro , os periódicos recebidos através dos malotes diplomáticos e repassados ao redator da Imprensa Regia. A partir dos anos 30 do mesmo século referido assimilamos da imprensa francesa, especificamente do "Journal de Paris", a seção que em Portugal se chamou "Comunicados" e no Brasil "A Pedidos" que nada mais era do que um publi-editorial onde cidadãos escudados no anonimato denegriam pessoas, instituições, insultando e caluniando autoridades, ou personalidades em destaque. Com o consentimento dos editores, alguns deles usando o espaço, sob pseudônimo, para não assumir responsabilidades.

Influência no traço
Na segunda metade do século XIX a imprensa francesa influencia o traço de nossos artistas gráficos. Gavarni é a nossa referência, alias de todos os caricaturistas do mundo, então, seduzidos com seus Les Enfants Terribles, Les Actrices e Les Étudiants, as séries reproduzidas pelo jornal humorístico Le Charivari. Mas também Daumier e Grandville, admirados por Ângelo Agostini, que lhes conheceu o traço quando morou em Paris bem antes de aportar no Brasil onde se tornaria o maior artista gráfico, ícone da melhor imprensa ilustrada daquele século: Diabo Coxo, O Cabrião, O Mosquito, A Vida Fluminense e sua melhor obra A Revista Ilustrada. A sátira brasileira foi fortemente influenciada pela sátira francesa e essa irreverência mais tarde seria uma característica, também, de nossa publicidade.

No final do século XIX as revistas parisienses podiam ser adquiridas em vários estabelecimentos comerciais do Rio de Janeiro e também em Salvador e no Recife, em especial "L' Ilustration" e "Le Petit Journal"; ambas as publicações destacaram as experiências de Santos Dumont, primeiro com balões, mais tarde com o 14 BIS. Foi no "L' Ilustration" que o Barão de Tefé foi buscar referências gráficas e de conteúdo em 1901 para fundar a Revista da Semana. Que nasceu com a qualidade das melhores revistas do mundo e foi a semanal de maior longevidade na história da imprensa brasileira.

A verdade é que até a década de 30 os magazines parisienses influenciaram e muito as revistas brasileiras. No traço dos caricaturistas, no conteúdo, no leiaute, no padrão editorial. O Malho, Fon Fon, Semana Ilustrada e A Ilustração Brasileira, são referências editoriais da França. Indiretas, mas marcantes. Não tão explícitas quanto à da Leitura para Todos, Revista da Moda e Eu Sei Tudo que praticamente eram franquias da Lectures Por Tous, Revue Dês Modes e Je Sais Tout. Publicações que faziam a cabeça das famílias brasileiras. Até o surgimento de O Cruzeiro (1928), o modelo Time, este de influência anglo-saxônica, um estilo editorial preponderante durante todo o século XX.